Novos estudos sugerem um impacto desproporcional da COVID-19 nas pessoas imunocomprometidas

23/10/23
Novos estudos sugerem um impacto desproporcional da COVID-19 nas pessoas imunocomprometidas

Novos dados de dois estudos da AstraZeneca de evidência do mundo real destacam que os indivíduos imunocomprometidos (IC) continuam a enfrentar um impacto significativo e desproporcional, com taxas substancialmente mais elevadas de consequências graves da COVID-19 em comparação com a população em geral.

Os estudos INFORM e EPOCH foram publicados na Lancet Regional Health Europe e na Current Medical Research and Opinion, respetivamente. Os dados do INFORM foram também apresentados na 12.ª Conferência Annual IDWeek, que decorreu em Boston.

As vacinas contra a COVID-19, tal como acontece com outras vacinas, não são tão eficazes em indivíduos imunocomprometidos como na população em geral. Como resultado, os indivíduos imunocomprometidos podem estar menos protegidos contra a COVID-19 e permanecer em maior risco de infeção por SARS-CoV-2 e de desenvolverem formas graves da doença.

Os principais dados sobre os estudos incluem:

  • No estudo INFORM, apesar de constituírem menos de 4 % da população, os indivíduos IC representam, em Inglaterra, cerca de um quarto de todas as hospitalizações por COVID-19 (22 %), admissões em UCI (28 %) e mortes (24 %). 
  • Mesmo após várias doses de vacinas contra a COVID-19, os indivíduos IC tiveram um risco até 14 vezes maior de hospitalização por COVID-19 em comparação com a população em geral. 
  • O risco de hospitalização, internamento em UCI e morte foi desproporcionalmente mais elevado nos indivíduos imunocomprometidos do que na população em geral, independentemente da doença primária. Determinadas populações de imunocomprometidos, como os recetores de transplante de órgão sólido ou de células estaminais e as pessoas com neoplasia hematológica recentemente tratadas, demonstraram um risco mais de dez vezes superior ao de pessoas sem estas doenças.
  • Os dados do EPOCH demonstram que os doentes IC têm internamentos hospitalares prolongados, com custos elevados. Estima-se que os custos totais médios para internamentos, associados ao primeiro diagnóstico de COVID-19 em doentes IC, foram de quase mil milhões de dólares (2021 dólares americanos), um custo médio de 64 029 dólares por doente e uma duração média de internamento de 15 dias. 

"Até à data, a nossa compreensão do impacto da COVID-19 na população imunocomprometida tem sido limitada devido à falta de investigação específica nesta área. O INFORM e o EPOCH são os primeiros estudos de grande escala que, em conjunto, fornecem uma informação detalhada do impacto que a COVID-19 continua a ter nestes grupos de doentes em diferentes regiões geográficas. Como mostram os nossos dados, a vacinação por si só não é, muitas vezes, suficiente para proteger estes indivíduos das potenciais consequências devastadoras da COVID-19 e são necessárias estratégias de prevenção eficazes para esta população. Temos de trabalhar em conjunto para encontrar soluções para que esta população vulnerável possa sair da pandemia", refere o Dr. Paul Moss, do Instituto de Imunologia e Imunoterapia, diretor adjunto da Faculdade de Ciências Médicas e Dentárias, professor de Hematologia da Universidade de Birmingham e investigador do INFORM.

O Prof. Doutor Hugh Montgomery, professor de Medicina Intensiva na University College London, Reino Unido, afirma que, "com uma maior probabilidade de doença grave, internamentos hospitalares mais longos e custos associados elevados, o impacto da COVID-19 recai desproporcionadamente sobre os doentes imunocomprometidos e exerce uma pressão significativa sobre os sistemas de saúde. Agora que os casos de COVID-19 e as hospitalizações estão novamente a aumentar, este impacto nos imunocomprometidos pode agravar-se à medida que nos aproximamos da época de inverno de 2023-2024. Acelerar o desenvolvimento de novas terapêuticas que possam ajudar a proteger esses indivíduos vulneráveis da COVID-19 e garantir que eles podem controlar adequadamente as suas doenças subjacentes continua a ser uma prioridade urgente de saúde".

Para o Dr. Joaquim Oliveira, presidente da Sociedade Portuguesa de Doenças Infeciosas e Microbiologia Clínica, este estudo vem “corroborar a perceção que já tínhamos de que a COVID-19 afeta desproporcionalmente populações mais vulneráveis, nomeadamente os IC. Por outro lado, dá-nos uma quantificação da magnitude deste efeito, tornando patente a necessidade de estratégias alternativas de proteção desta população. Acreditamos que estes dados poderão ser extrapolados para a nossa realidade mas, não podemos deixar de lamentar que os dados existentes nas plataformas nacionais não sejam utilizados para uma melhor caraterização da realidade portuguesa, o que permitiria uma definição mais informada das políticas de saúde.”

O INFORM é um estudo de coorte observacional, de base populacional e retrospetivo, com quase 12 milhões de pessoas com 12 anos ou mais, realizado em Inglaterra para avaliar as consequências clínicas da COVID-19. O EPOCH fornece dados sólidos de mundo real sobre os riscos e as consequências da COVID-19 em populações com e sem COVID-19 nos EUA, utilizando uma extensa base de dados de pedidos de indemnização de seguros de quase 17 milhões de pessoas.

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