Desenvolvimento da fala em crianças comprometido pelas infeções crónicas de ouvido

16/01/24
Desenvolvimento da fala em crianças comprometido pelas infeções crónicas de ouvido

Cientistas da Universidade da Flórida demonstraram através de um estudo que, quando as infeções de ouvido se tornam crónicas, a perda de audição temporária e repetida pode levar a défices no processamento auditivo e no desenvolvimento da linguagem em crianças anos mais tarde.

De acordo com o estudo, isto acontece porque a cada infeção de ouvido, há uma acumulação de líquido atrás do tímpano que pode prejudicar a audição. Segundo uma das investigadoras, Susan Nittrouer, “as infeções de ouvido são tão comuns que tendemos a descurá-las como se não tivessem efeito a longo prazo, mas devemos levá-las a sério. Os pais devem estar cientes de que os seus filhos podem ter algum líquido no ouvido médio (e esta acumulação pode não ser dolorosa) e devem trabalhar com o médico para monitorizá-los de perto”.

Neste trabalho foi estudado o processamento auditivo e desenvolvimento da fala em 117 crianças dos 5 aos 10 anos, com e sem histórico de infeções crónicas de ouvido. Globalmente, crianças com inúmeras infeções de ouvido antes dos seus três anos de idade tinham menor vocabulário e maior dificuldade em combinar palavras com sons semelhantes, em comparação com crianças com poucas ou nenhumas infeções de ouvido. Estas mesmas crianças apresentaram dificuldades em detetar mudanças nos sons, um sinal de problemas nos seus centros de processamento auditivo do cérebro.

Para Susan Nittrouer, este estudo realça igualmente a importância de pais, médicos e fonoaudiólogos continuarem a monitorização destas crianças com infeções crónicas de ouvido, muito depois de a última dor de ouvido em fase pré-escolar ter desaparecido, até porque alguns défices de vocabulário podem apenas revelar-se posteriormente, “à medida que as crianças vão para a escola e a linguagem que são obrigadas a usar torna-se mais complexa”.

Os resultados do estudo foram publicados este mês no International Journal of Pediatric Otorhinolaryngology, estando previsto a continuidade desta investigação com a inclusão de crianças em risco de atrasos no desenvolvimento auditivo por outras razões, incluindo nascimento prematuro.

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