Sete Unidades Locais de Saúde vão deixar de realizar cirurgias ao cancro da mama

01/03/24
Sete Unidades Locais de Saúde vão deixar de realizar cirurgias ao cancro da mama

A partir de 1 de abril, sete Unidades Locais de Saúde, algumas das quais com mais de um hospital integrado, vão deixar de realizar cirurgias ao cancro da mama. Para manter a cirurgia da neoplasia da mama, de acordo com a Direção Executiva do SNS (DE-SNS), esta operação deve restringir-se a instituições que realizem, pelo menos, 100 cirurgias anualmente e tenham dois ou mais cirurgiões dedicados.

Esta notícia foi dada pela Direção Executiva do SNS (DE-SNS) ontem, 29 de fevereiro. A Liga Portuguesa Contra o Cancro já manifestou a sua preocupação com a redução do número de hospitais a realizar cirurgias ao cancro da mama, defendendo que são necessárias medidas adicionais para assegurar capacidade de reposta e evitar atrasos no tratamento.

Vítor Rodrigues explicou que essa preocupação se prende com “a possibilidade de haver eventuais atrasos ou aumentar os atrasos” que já existem em termos “do tratamento de cancro em sentido geral e também de algumas situações em particular”.

“Do ponto de vista técnico e científico, sabemos que o cancro deve ser tratado com qualidade e atempadamente. Com qualidade em hospitais mais diferenciados e temporalmente com o menor tempo possível entre o diagnóstico e o tratamento. (…) Agora temos que ter as condições para que esta medida, que é cientificamente válida”, seja vantajosa para os doentes.

Por sua vez, a Ordem dos Médicos considera que a decisão de restringir o tratamento cirúrgico ao cancro da mama em sete Unidades Locais de Saúde terá um impacto negativo no acesso da população e pode pôr em causa a formação médica.

“Nós concordamos com a concentração de recursos para uma maior diferenciação, mas isto tinha de ser estudado de outra forma. Tem de ser estudado neste aspeto da acessibilidade, em primeiro lugar. (…) Muitos dos casos são hospitais do interior do país e isso é mais um fator de desertificação e de não apoio, em termos de cuidados de saúde, às mulheres que estão no interior do país”, afirmou Carlos Cortes.

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