Estudo alerta que crianças que passam por quimioterapia ou radioterapia apresentam um risco elevado de desenvolver problemas dentários

18/03/24
Estudo alerta que crianças que passam por quimioterapia ou radioterapia apresentam um risco elevado de desenvolver problemas dentários

O estudo “Chemotherapy and Radiotherapy Long-Term Adverse Effects on Oral Health of Childhood Cancer Survivors: A Systematic Review and Meta-Analysis”, desenvolvido pelo centro de investigação da Egas Moniz School of Health and Science e publicado na revista Cancers, alerta para a importância dos cuidados de saúde oral e a prevenção de doenças em sobreviventes de cancro infantil. A investigação tem como objetivo realçar os efeitos adversos de longo prazo da quimioterapia e radioterapia na saúde oral de sobreviventes pediátricos oncológicos e também fornecer informações relevantes aos oncologistas pediátricos.

A taxa de sobrevivência ao cancro pediátrico tem vindo a aumentar nas últimas décadas, contudo, diversas complicações foram detetadas relativamente aos efeitos registados a longo prazo na saúde oral das crianças, proveniente dos tratamentos de quimioterapia e radioterapia. A partir da análise de 35 estudos observacionais, o estudo desenvolvido pela Egas Moniz indica que 53 % dos casos podem ter descoloração, 36 % malformações coroa- radiculares e agenesia (ausência de dente); 32 % hipoplasia do esmalte (defeito quantitativo de esmalte); 29 % alterações da forma da raiz e 24 % erupção dos dentes.

Luísa Bandeira Lopes, investigadora do Egas Moniz Center for Interdisciplinary Research, refere que “o principal objetivo do estudo é fornecer informações aos oncologistas pediátricos para as principais e possíveis alterações dentárias que têm um impacto negativo na qualidade de vida dos pacientes e das famílias. De uma forma geral, os principais efeitos a curto-prazo podem incluir cáries dentárias, inflamação da mucosa oral, hemorragia, alterações do paladar, infeções secundárias e doença periodontal, assim como as complicações a longo-prazo identificadas neste estudo. A maioria dos sobreviventes do cancro apresenta pelo menos uma destas sequelas dentárias, por isso, através destes resultados é destacado coletivamente a importância dos cuidados de saúde oral e da prevenção de doenças em sobreviventes de cancro infantil”.

Os efeitos secundários tardios da quimioterapia e da radioterapia em sobreviventes de cancro pediátrico são numerosos, o que desafia os cuidados clínicos e a gestão no contexto dentário. Relativamente aos tipos de cancro, verifica-se que o cancro mais prevalente em crianças a nível mundial é a leucemia, com a taxa mais elevada, seguida dos tumores do sistema nervoso central e ainda os linfomas. Recentemente, os tratamentos anticancerígenos combinados foram identificados como sendo responsáveis por efeitos orais tardios, incluindo defeitos de desenvolvimento craniofacial e dentários e disfunção das glândulas salivares, especialmente quando efetuados numa idade jovem.
Comprometidos com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Agenda 2030 para o ensino superior, a Egas Moniz, enquanto instituição de ensino superior que fomenta a excelência académica e a promoção da sustentabilidade, foi recentemente considerada a melhor universidade privada portuguesa no Ranking de Inovação, pela SCImago Institution Rankings. Para além disso, foi também reconhecida como primeira classificada no contexto dos ODS 1 e 3, respetivamente Saúde de Qualidade e Erradicar a Pobreza, entre as instituições de ensino privadas do país e como segunda no ranking nacional, no Impact Ranking do Times Higher Education”.

Partilhar

Publicações