Quase 40 % dos profissionais de saúde reconhece ter preconceitos contra pessoas com obesidade

10/04/24
Quase 40 % dos profissionais de saúde reconhece ter preconceitos contra pessoas com obesidade

Um inquérito realizado em oito países de todo o mundo indica que 38 % dos profissionais de saúde reconhece ter preconceitos contra os doentes com obesidade e que dois terços não vêem a obesidade como uma doença crónica. A sondagem foi realizada pela rede OPEN (Obesity Policy Engagement Network) em Espanha, Itália, Alemanha, Canadá, Austrália, Brasil, Malásia e Turquia.

De acordo com o estudo, cerca de 23 % dos profissionais de saúde considera que a obesidade resulta de más escolhas da pessoa, 15 % que é uma doença temporária devido a uma multiplicidade de fatores, 14 % que se trata de um processo reversível causado pelas circunstâncias envolventes (como, por exemplo, um baixo nível socioeconómico ou a falta de espaços verdes) e 9 % que se deve a um mau estado de saúde geral.

A situação explica o facto de os profissionais de saúde só falarem proativamente sobre a obesidade com metade dos seus pacientes com sinais ou risco de serem obesos. Depois da conversa, 41 % destas pessoas acreditam que são as responsáveis pelo seu problema, a mesma percentagem entende que se trata de uma doença e 49 % têm consciência de que correm um maior risco de sofrer de outras patologias.

O trabalho da rede OPEN estima que o histórico clínico de 57 % dos pacientes não apresenta a doença como crónica.

A sondagem mostra ainda que dois terços dos profissionais são de opinião que os cuidados não são bem organizados. Dos 89,5 % que sabem que existem orientações clínicas, apenas 47 % as consultaram e 28 % consideraram-nas inadequadas.

Por outro lado, mais de 70 % dos mesmos atribuem à falta de tempo e de recursos humanos a ausência de cuidados adequados da obesidade.

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