"Há estudos que apontam que, na ausência de saúde mental, existe um desinvestimento do adolescente nas suas atividades de rotina diária, sobretudo nas atividades de autocuidado ou em rotinas pouco eficazes e comprometedoras do bom desempenho e equilíbrio ocupacional e social", aponta Ana Lúcia Simões.
As principais finalidades do projeto são fomentar o sentimento de autoeficácia, autoestima, autoconhecimento; promover rotinas de autocuidado, que se traduzam em bem-estar, com atividades de movimento, expressão corporal e técnicas projetivas; melhorar a aceitação da imagem corporal, quer através da exteriorização de emoções, quer na relação corpo-mente-respiração; potenciar a participação social através do envolvimento de relações mais adequadas com os pares; promover as competências de comunicação e interação; e providenciar um maior envolvimento ocupacional/social pela promoção de novas experiências de lazer, adequadas à etapa de desenvolvimento.
As sessões, com o limite máximo de oito elementos por grupo de jovens, decorrem com uma metodologia ativa, nomeadamente dinâmicas grupais, visionamento de vídeos, discussão em pequeno e grande grupo, “chuva” de ideias, auto monitorização, entre outras. Uma das ações, “Maquilhagem Terapêutica”, realizou-se em parceria com a enfermeira Sónia Pereira e Tânia Ferreira. Esta sessão não se centra por si só no embelezamento, mas na expressão do autocuidado e na relação psicossocial e emocional de cada adolescente.
"A evidência científica mostra-nos que as metodologias que envolvem grupos terapêuticos, com dinâmicas sociais, num espaço protegido e seguro permitem ao adolescente ultrapassar obstáculos impostos pela própria doença. Estas dinâmicas ganham uma real dimensão na adolescência, uma vez que é uma faixa etária de forte cariz social entre pares", explica Joana Pardal.
O projeto CORPORALMENTE tem a duração de dez sessões, com lugar no Hospital de Santo André, em Leiria, existindo a expetativa de alargar posteriormente o projeto terapêutico a outras unidades de saúde da ULSRL, nas quais a equipa comunitária desenvolve a sua atividade assistencial.
Segundo a médica pedopsiquiatra e diretora do Serviço de Pedopsiquiatria, Graça Milheiro, "o projeto CORPORALMENTE constitui mais uma resposta do nosso serviço que vai dotar os nossos jovens de ferramentas importantes para melhorarem o investimento neles próprios, aumentar a sua autoestima e autoconceito, fatores essenciais para o seu bem-estar emocional. O facto de ser uma intervenção em grupo permite criar uma rede de suporte entre os seus elementos, pois cada um pode dar e receber apoio entre si, ajudando-se mutuamente a lidar com os problemas e experimentar um alívio ao se aperceber de que não é o único a passar pelos mesmos problemas e que não está sozinho, reduzindo o sentimento de solidão".
"A participação do Serviço Social numa equipa multiprofissional como é o projeto “CORPORALMENTE” é fundamental, na medida em que promove e contribui para a integração do indivíduo na comunidade e no seu meio social. A intervenção do Serviço Social em grupos de maior vulnerabilidade social visa, assim, o combate à exclusão social, promovendo a inclusão e coesão social e mantendo a estabilidade social. A intervenção precoce é essencial para prevenir patologias mais graves no futuro, e assim reduzir custos futuros para o indivíduo, família, sistema de saúde e até para a economia do país", indica Cidália Faria, diretora do Serviço Social da ULSRL. "São vários os processos através dos quais podemos favorecer a saúde dos indivíduos, entre eles mecanismos de controlo e mobilização do stress e o uso do reforço positivo dos comportamentos desejáveis, estratégias dinamizadas e objetivos preconizados pelo grupo terapêutico “CORPORALMENTE”."


