Em simultâneo, a equipa internacional liderada por Maria Paula Marques e Luís Batista de Carvalho, da Unidade de I&D "Química-Física Molecular" da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC), conseguiu ainda "mascarar" o fármaco com um veículo à base de ciclodextrina (polímero de açucares), para impedir o seu contacto com a glutationa e, assim, fazê-lo chegar eficazmente ao tumor, onde exercerá o seu efeito terapêutico.
Segundo comunicado da UC, estes resultados representam um passo significativo no sentido de ultrapassar dois dos grandes problemas da cisplatina e fármacos análogos – a sua elevada toxicidade e a resistência adquirida pelos pacientes ao tratamento quimioterapêutico.
Perceber como "a glutationa sequestra a cisplatina, impedindo-a de chegar ao alvo em doses apreciáveis e encontrar uma forma de ultrapassar este tipo de resistência, permitirá desenvolver formulações farmacológicas mais eficazes e menos tóxicas para o doente", explicam em comunicado Maria Paula Marques e Luís Batista de Carvalho.
Nos próximos dias, os investigadores vão deslocar-se novamente ao ISIS para continuar as experiências, que terão desta vez como objetivo verificar se o fármaco (cisplatina e novos compostos análogos) encapsulado em ciclodextrinas não é afetado pela glutationa, evitando-se deste modo o seu consumo antes de atingir o alvo terapêutico.
Caso se obtenham resultados positivos, será possível avançar para ensaios pré-clínicos e clínicos, de modo a testar a viabilidade da aplicação prática destas novas formulações, refere o comunicado da UC.
Uma experiência realizada por uma equipa de investigadores da Universidade de Coimbra (UC), no Centro de investigação ISIS, sedeado no Reino Unido, permitiu uma melhor compreensão do modo como a glutationa (antioxidante celular) contribui para a resistência adquirida à cisplatina, fármaco muito aplicado no tratamento de vários tipos de cancro (pulmão, testículo, ovário e bexiga, entre outros).

