“Neste momento, temos cerca de 25 mil doentes que, em diferentes programas a nível nacional, vão às farmácias buscar a sua medicação do hospital, mas há um potencial de cerca de 200 mil pessoas que ainda continuam a ir ao hospital só para ir buscar a sua medicação”, explicou Nuno Flora, presidente executivo da ADIFA.
O programa, introduzido pelo Governo anterior e promulgado pelo Presidente da República no final de 2023, permite que os utentes escolham o local onde desejam levantar a sua medicação, seja numa farmácia ou num hospital mais próximo de casa. O objetivo é reduzir as deslocações aos hospitais apenas para a obtenção de medicação, especialmente para doenças crónicas. Os custos da dispensa em farmácias são cobertos pelas unidades de saúde que acompanham os doentes, sem qualquer custo adicional para os utentes.
Nuno Flora, sublinhou o grande potencial desta medida para implementar um serviço de proximidade em colaboração com hospitais e farmácias, contribuindo para a melhoria do acesso aos cuidados de saúde e para o descongestionamento do Serviço Nacional de Saúde (SNS).
O presidente executivo citou a última campanha de vacinação contra a gripe e a COVID-19 como um exemplo bem-sucedido de como a capacidade instalada nas comunidades pode ser aproveitada para aumentar o acesso aos serviços de saúde e melhorar as taxas de cobertura vacinal.
Nuno Flora alertou que a dispensa de medicamentos em proximidade ainda não está completamente implementada em Portugal, mas manifestou a esperança de que a partir de janeiro de 2025 se possa começar a aproveitar todo o potencial desta medida. Ele também mencionou a experiência adquirida durante a pandemia de covid-19, quando mais de 200 mil doentes receberam a sua medicação nas farmácias, evitando deslocações aos hospitais.
Sobre o Plano de Emergência e Transformação da Saúde do Governo, Nuno Flora considerou que este ficou aquém das expectativas na área dos medicamentos, embora reconheça que os principais desafios da saúde estão no acesso e na prestação de cuidados aos utentes. O presidente executivo da ADIFA elogiou ainda a nova equipa do Ministério da Saúde, liderada por Ana Paula Martins, pela sua abertura e capacidade de diálogo com os agentes do setor.
Fonte: Lusa


