A narcolepsia "é uma condição em que o cérebro tem dificuldade em manter a vigília e controlar a transição para o sono, especialmente o sono REM", explica Ana Catarina Brás, neurologista especialista em Medicina do Sono e membro da direção da Associação Portuguesa de Sono.
Esta doença manifesta-se de forma igual em ambos os sexos e tende a surgir na adolescência ou no início da idade adulta, afetando várias áreas da vida dos doentes, desde o bem-estar pessoal até às relações familiares, desempenho escolar ou profissional e vida social.
Além da sonolência diurna intensa, outros sintomas típicos incluem cataplexia, alucinações ao adormecer ou acordar, paralisia do sono e sono fragmentado. Alguns doentes podem ainda experienciar aumento do apetite e peso, comportamentos automáticos, irritabilidade, apatia, sintomas depressivos, isolamento social e dificuldades de concentração, o que prejudica o rendimento escolar ou profissional.
A narcolepsia também apresenta riscos elevados de acidentes, devido aos episódios súbitos de sono e cataplexia. Marta Rios, pediatra especialista em Medicina do Sono e membro da direção da Associação Portuguesa de Sono, destaca a importância da deteção precoce e do tratamento adequado. "Identificar os sintomas precocemente e iniciar o tratamento é crucial para minimizar o impacto da doença na vida dos doentes. É também importante que familiares, amigos, professores e empregadores estejam devidamente informados sobre esta condição e saibam como agir.”, reforça.
O tratamento da narcolepsia combina medidas comportamentais, como sestas programadas, boa higiene do sono e a evicção de trabalhos por turnos, com o uso de fármacos para controlo dos sintomas. "Com a combinação certa de estratégias comportamentais e medicamentosas, é possível melhorar significativamente a qualidade de vida dos doentes", acrescenta Marta Rios.
Este evento, de participação gratuita, oferece aos doentes e seus familiares a oportunidade de partilhar experiências e esclarecer dúvidas com profissionais de saúde. A inscrição é obrigatória e pode ser feita através de um formulário disponibilizado pelas associações.


