Em Portugal, estima-se que cerca de quatro milhões de pessoas vivem com pelo menos uma doença crónica, o que representa um grande desafio para o sistema de saúde e para a sociedade. Este encontro destacou a importância de avançar com o grupo de trabalho multidisciplinar, previsto no Orçamento do Estado, para desenvolver o Estatuto do Doente Crónico. O evento, decorrerá no Auditório Coriolano Ferreira da ENSP-NOVA, em Lisboa, tem como objetivo dar visibilidade às necessidades e desafios enfrentados pelos doentes crónicos.
As doenças crónicas, como as cardiovasculares, o cancro, a diabetes e as doenças respiratórias, são responsáveis por uma grande parte da carga de doença em Portugal. Segundo o Relatório de Saúde da Direção-Geral da Saúde de 2019, cerca de 85% das mortes no país estão associadas a doenças crónicas. Dados do Instituto Nacional de Estatística indicam que 22% da população portuguesa vive com uma doença crónica.
Ana Rita Oliveira Goes, coordenadora da ACAD e professora da ENSP NOVA, destaca a importância de criar estratégias focadas na prevenção, diagnóstico precoce e tratamento adequado das doenças crónicas, bem como aumentar a consciencialização da sociedade sobre o impacto deste diagnóstico. O evento procura apresentar a proposta do Estatuto do Doente Crónico, desenvolvida pela Federação Nacional das Associações de Doenças Crónicas (FENDOC), e promover uma reflexão sobre os desafios enfrentados por estes doentes.
Jaime Melancia, presidente da Plataforma Saúde em Diálogo e membro da FENDOC, salienta a necessidade de “repensar a gestão da doença crónica num sistema de saúde que continua tendencialmente orientado e organizado para uma resposta à doença aguda”. Com milhões de portugueses a viverem com doenças crónicas, é crucial reorganizar o sistema de saúde para garantir uma resposta atempada e adequada a estas condições.
Carlos Oliveira, presidente da FENDOC, corrobora que a criação do Estatuto do Doente Crónico tem como base garantir igualdade de tratamento e direitos para todos os doentes crónicos. Segundo o presidente da FENDOC, o estatuto tem vindo a ser trabalhado ao longo de 25 anos, e recentemente foi incluída no Orçamento de Estado de 2024 a criação de um grupo de trabalho multidisciplinar para o desenvolver, definindo os níveis da doença e os apoios necessários.
O evento conta com a participação de Ana Abrunhosa, presidente da Comissão Parlamentar da Saúde, Ana Rita Pedro, investigadora e docente da ENSP NOVA, Carlos Oliveira, presidente da FENDOC, e Jaime Melancia, presidente da Plataforma Saúde em Diálogo.
A entrada para o evento é livre, sendo apenas preciso o preenchimento do formulário.
Para mais informações sobre as atividades da ACAD, pode consultar os recursos disponíveis no site da ENSP NOVA.


