Num apelo feito através de uma carta aberta dirigida à ministra da Saúde, à diretora-geral da Saúde e aos deputados da Assembleia da República, os signatários enfatizam a importância de investir na prevenção, particularmente no momento em que o Governo prepara o Orçamento do Estado para 2025. "Queremos apelar à importância de assegurar o investimento na prevenção da doença como o melhor garante da sustentabilidade do SNS e de maior qualidade de vida para os portugueses”, defendem.
Os especialistas referem que, em 2023, foram notificados 22 mil casos de Herpes Zóster nos cuidados de saúde primários, com 28 mil consultas relacionadas com a doença. Estes números não incluem as urgências hospitalares ou as consultas em prestadores privados, reforçando a dimensão do problema.
A cada dois dias, uma pessoa é internada devido a complicações graves associadas à Zona, como encefalites, meningites e nevralgia pós-herpética, com os doentes a permanecerem em média duas semanas no hospital. Estima-se que 80 % dos internados eram considerados saudáveis antes de desenvolverem a doença.
Entre os subscritores da carta estão sociedades científicas como as de Medicina Interna, de Saúde Pública, de Endocrinologia, Diabetes e Metabolismo, de Pneumologia, Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar, Liga Portuguesa Contra as Doenças Reumáticas, o Grupo de Ativistas em Tratamento (GAT) e as associações portuguesas da Psoríase e de Insuficientes Renais. Todos defendem ser “prioritário que o Governo tome as medidas necessárias para aumentar a acessibilidade à vacina”.
A vacinação, sublinham, "contribui para a sustentabilidade e resiliência do Serviço Nacional de Saúde (SNS)", reduzindo a pressão sobre os cuidados hospitalares e promovendo a prevenção de internamentos e visitas às urgências. Os especialistas alertam que, apesar do primeiro apelo à Direção-Geral da Saúde ter sido feito há mais de um ano, ainda não foram adotadas medidas concretas para implementar esta vacina no PNV.
A vacina contra o Herpes Zóster já faz parte dos programas de vacinação de vários países europeus, como Espanha, Itália e Alemanha, assim como nos EUA, Canadá e Austrália existem atualmente recomendações que asseguram a prevenção desta doença nas populações vulneráveis. Nos países onde é recomendada, a vacina garante proteção durante pelo menos 11 anos.
Os subscritores concluem que é urgente que o Governo português siga o exemplo de outros países europeus, garantindo equidade no acesso à vacinação, independentemente da condição económica dos cidadãos.
Fonte: Lusa


