Estudo aponta para 39 milhões de mortes até 2050 devido a infeções bacterianas resistentes a antibióticos

24/09/24
Estudo aponta para 39 milhões de mortes até 2050 devido a infeções bacterianas resistentes a antibióticos

Um estudo recente, publicado na revista médica britânica The Lancet, estima que mais de 39 milhões de pessoas poderão perder a vida até 2050 devido a infeções bacterianas resistentes a antibióticos. Este cenário alarmante destaca a necessidade urgente de melhorar o acesso a cuidados de saúde e ao desenvolvimento de novos antibióticos, com a previsão de que 92 milhões de vidas poderiam ser salvas entre 2025 e 2050 com estas melhorias.

A pesquisa revela que a resistência a antibióticos poderá resultar na morte de mais de 39 milhões de pessoas nas próximas décadas, sendo um terço dessas fatalidades a ocorrer no sul da Ásia, que inclui países como Índia, Paquistão e Bangladesh. Uma análise mais abrangente sugere que, se considerada a associação entre resistência a antibióticos e óbitos, o número de mortes pode ultrapassar 169 milhões.

A resistência aos antibióticos, que ocorre quando bactérias sofrem mutações que as tornam imunes a estes medicamentos, é uma preocupação crescente. O uso excessivo de antibióticos aumenta a probabilidade de desenvolvimento de bactérias resistentes, uma situação que a Organização Mundial da Saúde (OMS) classificou como uma das dez maiores ameaças à saúde pública global em 2019.

Nesse ano, em Portugal, entre 2.226 e 9.445 mortes foram atribuídas, direta ou indiretamente, a infeções causadas por bactérias resistentes. Globalmente, o número de mortes devido a esta resistência superou as causadas pela sida e pela malária.

O estudo também indica que, entre 1990 e 2021, mais de 30 milhões de pessoas morreram no mundo por infeções associadas à resistência a antibióticos, com um aumento de mais de 80% nas fatalidades entre os idosos com 70 anos ou mais. Por outro lado, o número de óbitos em crianças com menos de cinco anos diminuiu em 50%, graças a programas de vacinação.

As estimativas foram baseadas em dados provenientes de 520 milhões de registos individuais, abrangendo diversas bactérias resistentes, combinações de antibióticos e tipos de infeções em 204 países ou territórios. Os autores do estudo alertam que este padrão de mortalidade continuará até 2050, exigindo ações eficazes para mitigar a crise de resistência a antibióticos.

Fonte: Lusa

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