O relatório destaca a necessidade de uma maior aposta na vacinação de adultos, especialmente numa altura em que se aproxima a apresentação do Orçamento do Estado para 2025. A proposta visa a ampliação do atual PNV para incluir um calendário vacinal direcionado à população adulta, com particular enfoque na prevenção em idosos e grupos vulneráveis.
Atualmente, Portugal é um dos poucos países da União Europeia que não dispõe de uma estratégia abrangente de vacinação para adultos, o que, segundo os especialistas, tem impactos diretos na saúde pública e nos custos associados a doenças preveníeis por vacinação, como a gripe, a pneumonia, o HPV, o herpes zoster (zona) e o vírus sincicial respiratório. O relatório estima que a falta de uma política vacinal para adultos poderá representar um custo de 245 milhões de euros em despesas diretas e indiretas.
Francisco George, presidente da Sociedade Portuguesa de Saúde Pública e líder do projeto, sublinha que “há medidas concretas, nomeadamente a aplicação de vacinas, que visam evitar determinadas doenças” reforçando também que a vacinação é uma medida essencial para prolongar a vida com qualidade, especialmente numa população envelhecida, onde 25 % têm mais de 65 anos. Francisco George destacou ainda os benefícios da vacina contra a gripe de dose elevada, atualmente distribuída gratuitamente aos maiores de 85 anos, e defendeu que deveria ser alargada a idades mais baixas para evitar iniquidades.
A diretora-geral da Saúde, Rita Sá Machado, afirmou que a vacinação de adultos já faz parte do PNV, mas adiantou que a Direção-Geral da Saúde está a “fazer pareceres e novas propostas”, para a poder “expandir e alargar com base na melhor evidência científica”.
Os especialistas apelam aos decisores políticos para que considerem estas recomendações na elaboração de futuras políticas de saúde, promovendo uma abordagem mais proativa na vacinação dos adultos e melhorando a prevenção de doenças graves na população mais envelhecida.
Fonte: Lusa


