O evento vai juntar profissionais de saúde, representantes de associações de doentes e responsáveis governamentais, para discutir a pegada carbónica do sistema de saúde português e, em particular, a relação entre a terapêutica inalatória e as alterações climáticas, assim como a perspetiva dos profissionais de saúde e das pessoas com doença sobre a utilização de inaladores sustentáveis e terapêuticas mais ecológicas. Pode ser acompanhado em direto aqui.
De acordo com um artigo publicado no início de setembro, na revista “Acta Médica”, o impacto ambiental, em Portugal, de inaladores pressurizados é superior a 30 mil toneladas de CO2eq por ano. Seria necessário plantar anualmente mais de 1,3 milhões de árvores – o equivalente a todo o Parque Florestal de Monsanto – para capturar estes gases da atmosfera. O impacto carbónico destes dispositivos equivale à pegada de 150 viagens transatlânticas entre Londres e Nova York.
Neste artigo, que reuniu o CPSA com as cinco especialidades que mais prescrevem inaladores e uma associação de doentes, foi também realizado um inquérito a 348 médicos destas especialidades, onde se conclui que só 53 % dos médicos tem conhecimento sobre o impacto ambiental dos inaladores e 70 % não tem em consideração este impacto no momento da prescrição.
Face a estes resultados, os especialistas elaboraram um conjunto de recomendações que serão objeto de análise e debate nesta conferência, procurando sensibilizar as autoridades e a população em geral, para a pegada carbónica dos inaladores, estabelecendo uma ligação com as alterações climáticas e as consequências das ações insustentáveis no meio ambiente e na saúde humana.
Para isso, pretende-se dar destaque a boas práticas implementadas por outros países nesta matéria, nomeadamente, o Reino Unido, em que o compromisso dos profissionais de saúde e das instituições têm levado à construção e adoção de práticas mais ecologicamente responsáveis na gestão das doenças respiratórias.
“Esta conferência tem como objetivo a discussão interdisciplinar sobre a importância da sustentabilidade ambiental no setor da saúde. A descarbonização do setor da saúde é um desafio que temos vindo a enfrentar, com especial atenção na pegada carbónica dos inaladores. Este evento é uma oportunidade para sensibilizar os profissionais de saúde, as autoridades e a população em geral para o reconhecimento e utilização de práticas e terapêuticas mais ecológicas”, afirma Luís Campos, Presidente do CPSA.
Atualmente, os fatores ambientais já são responsáveis por cerca de uma em cada quatro mortes a nível global. Em todo o mundo, nove em cada dez pessoas respiram ar que contém níveis de poluentes acima das diretrizes da OMS. As alterações climáticas têm como principal fator a emissão de gases com efeito de estufa. Com as políticas atuais, a temperatura do planeta elevar-se-á em 2,7ºC até 2100, muito acima dos 1,5ºC que resultaram do acordo de Paris. Torna-se imperativo, por isso, acelerar uma mudança para atingir a neutralidade carbónica.


