Plano prevê mais 60 mil profissionais no SNS até 2030

07/10/24
Plano prevê mais 60 mil profissionais no SNS até 2030

O Serviço Nacional de Saúde (SNS) deverá contar com mais de 210 mil trabalhadores até 2030, um aumento de cerca de 60 mil profissionais em relação a 2023, segundo o Plano de Recursos Humanos na Saúde 2030, elaborado pela Administração Central do Sistema de Saúde (ACSS). Esta projeção reflete o compromisso em responder à crescente demanda de cuidados de saúde, apesar de alertar para o impacto do atual modelo, que sobrecarrega os profissionais.

O número de profissionais deverá passar de 149.579 em 2023 para 210.473 em 2030, com destaque para o aumento de médicos, que poderá subir de 31.307 para 44.052, e enfermeiros, cujo número deverá passar de 50.852 para 71.554. Este reforço terá como base o novo Quadro Global de Referência (QGR) do SNS, aprovado recentemente, que permite um aumento até 5 % dos trabalhadores em relação ao final de 2023.

Apesar destas metas, o plano destaca que a escassez de recursos humanos continua a ser um desafio, especialmente devido à mobilidade entre os setores público e privado, principalmente no grupo dos médicos. A ACSS também alerta que o modelo atual de prestação de cuidados contribui para a insatisfação dos profissionais e limita a segurança dos doentes e o acesso aos serviços.

O documento sublinha ainda que, entre 2018 e 2021, se registou um “enorme aumento” no SNS, com mais de 20 mil profissionais de saúde, mas desde 2021, o crescimento tem desacelerado. O plano identifica a necessidade de adotar novas políticas para atrair, reter e reativar profissionais, especialmente devido às vagas de formação médica que estão a ser cada vez menos preenchidas. Em 2023, 18% dos médicos internos não optaram por continuar na especialização, um reflexo das condições de trabalho e dos salários oferecidos.

A ACSS reforça que, embora 80% dos médicos recém-especialistas permaneçam no SNS após a formação, a fuga de talentos para outras oportunidades, dentro e fora do país, é uma preocupação crescente para o futuro dos cuidados de saúde em Portugal.

Fonte: Lusa

Partilhar

Publicações