Ministra da Saúde admite elevado número de horas extraordinárias no SNS

08/10/24
Ministra da Saúde admite elevado número de horas extraordinárias no SNS

A ministra da Saúde, Ana Paula Martins, reconhece que, durante o verão, "foram feitas bastantes" horas extraordinárias no Serviço Nacional de Saúde (SNS) e alerta que o inverno será ainda mais intenso, esperando que o suplemento remuneratório aprovado em julho ajude a mitigar o impacto.

Comentando uma notícia que afirma que os médicos realizaram quase dois milhões de horas extras para assegurar as urgências durante o verão, a ministra sublinha que o “inverno vai ser mais intenso” e que há falta de recursos humanos, não apenas médicos, mas também enfermeiros e outros profissionais de saúde. "Sabemos que as nossas unidades de saúde têm muita falta de recursos humanos", afirma.

O Governo aprovou, em julho, um plano de 41 milhões de euros para o pagamento de horas extraordinárias, além dos limites legais, com validade até ao final do ano. A ministra expressou esperança de que este decreto-lei "consiga dar suporte àquilo que é necessário" para responder à pressão nos serviços de saúde.

Entre julho e agosto, de acordo com dados da Administração Central do Sistema de Saúde (ACSS), os médicos dos quadros hospitalares realizaram mais de um milhão de horas extras, enquanto os médicos prestadores de serviço, sem vínculo às unidades de saúde, cumpriram cerca de 900 mil horas. "As nossas equipas fazem autênticos milagres", destaca Ana Paula Martins, reconhecendo o esforço dos profissionais.

A ministra também refere que as negociações com o Sindicato Independente dos Médicos (SIM) continuam e que já houve alguns entendimentos. Segundo Ana Paula Martins, “há uma enorme vontade por parte do Governo de acelerar estas negociações”, visando a valorização da carreira médica e a melhoria das condições de trabalho.

Entretanto, a Federação Nacional dos Médicos (FNAM) tem mantido uma posição crítica, com a presidente Joana Bordalo e Sá acusando o Ministério da Saúde de "lançar o caos" no SNS e afirmando que a FNAM não está disposta a participar em "negociações de fachada".

A FNAM convocou uma greve para os dias 24 e 25 de setembro, com uma manifestação em frente ao Ministério da Saúde no primeiro dia de paralisação.

Fonte: Lusa

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