Suspensão das bombas de insulina: SPD apela à intervenção urgente da ministra da Saúde

10/10/24
Suspensão das bombas de insulina: SPD apela à intervenção urgente da ministra da Saúde

João Filipe Raposo, presidente da Sociedade Portuguesa de Diabetologia (SPD), lança apelo urgente à ministra da Saúde, Ana Paula Martins, após a recente suspensão da distribuição das bombas de insulina automáticas previstas para este ano. Esta decisão, comunicada pelos Serviços Partilhados do Ministério da Saúde (SPMS), afeta diretamente milhares de doentes com diabetes tipo 1 e os serviços clínicos que já tinham planeado a implementação destes dispositivos.

As bombas de insulina são uma tecnologia essencial para o controlo eficaz da diabetes tipo 1, permitindo uma regulação rigorosa dos níveis de glicose e reduzindo o risco de complicações associadas à doença. A SPD sublinha que a suspensão compromete as expectativas dos doentes, que aguardavam pela colocação destas bombas nas próximas semanas. Em carta aberta, a sociedade alerta que, devido à decisão dos SPMS, apenas cerca de 30 % das 2.500 bombas de insulina previstas para este ano poderão ser distribuídas, muito abaixo do objetivo estabelecido.

A SPD reforça que, apesar do consenso político sobre a necessidade de melhorar o acesso a esta tecnologia em Portugal, o processo administrativo não tem sido adequado para satisfazer as necessidades dos doentes e dos serviços clínicos. João Filipe Raposo, apelou a uma "decisão corajosa" por parte da Ministra da Saúde para “acabar com o processo instituído e normalize o acesso a esta tecnologia, sabendo que o foco do SNS deve estar nas necessidades das pessoas”.

A Associação Protetora dos Diabéticos de Portugal partilha da mesma preocupação e José Manuel Boavida, presidente da APDP, que foi ouvido na comissão parlamentar da Saúde, sugere que a solução para agilizar o processo seria permitir que a distribuição passasse pelas farmácias, eliminando os atrasos causados pelos concursos públicos. José Manuel Boavida lembrou ainda que existe uma grande procura por estas bombas, estimando-se que cerca de metade das 30.000 pessoas com diabetes tipo 1 em Portugal queira ter acesso a estes dispositivos.

Um dos principais problemas que bloqueia o processo é uma ação em tribunal, interposta por um dos concorrentes do concurso público, que suspendeu a entrega de bombas de insulina aos hospitais do Serviço Nacional de Saúde (SNS) e à APDP. Como resultado, os centros de tratamento da diabetes estão a informar os doentes que não poderão cumprir as datas agendadas para a colocação das novas bombas automáticas.

A ministra da Saúde é instada a intervir de forma decisiva e a garantir que as pessoas com diabetes tipo 1 tenham acesso a esta tecnologia vital sem mais atrasos.

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