Catarina Limbert, presidente do congresso, destaca a importância de promover discussões sobre as inovações que estão a transformar o tratamento da diabetes nos mais jovens, garantindo o acesso equitativo às novas tecnologias e medicamentos. Segundo a presidente, o objetivo é abordar como estas inovações estão a mudar a abordagem terapêutica, tanto para a diabetes tipo 1 como para a tipo 2, cujas incidências na infância aumentaram 40 % nos últimos 30 anos, impulsionadas em parte pela epidemia global de obesidade infantil.
Durante o evento, é apresentada a nova Declaração de Lisboa, que assinala uma atualização das diretrizes da ISPAD, 30 anos após a Declaração de Kos. O documento, a ser publicado simultaneamente na revista "Lancet Diabetes & Endocrinology", reflete o compromisso renovado da organização em evoluir para melhor responder às necessidades da população pediátrica e adolescente com diabetes.
Um dos avanços significativos a ser discutido na reunião é o uso de sistemas de "administração automatizada de insulina" (AID), que combinam sensores de glicose com bombas de insulina controladas por algoritmos de inteligência artificial. Estes sistemas têm demonstrado resultados promissores na gestão da diabetes tipo 1, permitindo que a maioria das crianças alcance os objetivos metabólicos desejados. No entanto, o acesso a esta tecnologia ainda é desigual, com apenas 10 % das crianças em Portugal a utilizá-la.
Outro tema central do congresso foca-se no diagnóstico precoce da diabetes tipo 1, que pode ser antecipado pela deteção de autoanticorpos associados à doença em até 95 % dos casos, antes do aparecimento dos sintomas clássicos. Com a recente aprovação, nos Estados Unidos da América, de um tratamento para a fase pré-sintomática da diabetes tipo 1, esta mudança de paradigma reforça a importância do rastreio precoce e da formação de profissionais de saúde para lidar com esta oportunidade de intervenção antes mesmo do surgimento de sintomas.
O congresso em Lisboa representa um marco na procura de avanços no tratamento da diabetes pediátrica, reforçando a trajetória de colaboração e inovação da ISPAD para melhorar a vida dos jovens com a doença.


