Cancro do pulmão: estudo confirma que rastreio em Portugal é um investimento que salva vidas

16/10/24
Cancro do pulmão: estudo confirma que rastreio em Portugal é um investimento que salva vidas

A Aliança para o Cancro do Pulmão afirma que o rastreio do cancro do pulmão vale a pena. O mais recente estudo demonstra que é um investimento custo-efetivo, aumenta a taxa de sobrevivência e reduz as despesas com tratamentos avançados.

Com a implementação do rastreio, podiam ser evitadas 13 271 mortes por ano, com custos aceitáveis para os tratamentos.

Dados recentes mostram que este tipo de cancro é a principal causa de morte a nível mundial, mostrando que 75 % dos casos diagnosticados se encontram em fases avançadas, restando uma probabilidade de sobrevivência baixa. Se o rastreio fosse implementado a nível nacional, milhares de vidas podiam ser salvas, garante a entidade, uma vez que cerca de 17 portugueses são diagnosticados por dia e cerca de 14 morrem da doença.

“Este estudo resulta do esforço de muitas organizações (incluindo a Liga Portuguesa Contra o Cancro) que se reuniram no sentido de responder a uma questão atualmente em discussão e relativa ao impacto custo-efetividade da implementação de um rastreio de cancro do pulmão em Portugal. A prevenção do cancro do pulmão associando a redução do consumo do tabaco e a implementação do rastreio apontam para um impacto fortíssimo na redução do número de casos, grandes implicações no número de mortes resultantes e contribuindo para a sustentabilidade do Sistema Nacional de Saúde. Os resultados publicados neste estudo de investigação vêm demonstrar e reforçar, mais uma vez, que a investigação em cancro pode salvar a sua vida e da sua família”, explica Rui Medeiros, um dos autores do Estudo e Investigador no Instituto Português de Oncologia (IPO) do Porto.

Este estudo adaptou um modelo local de custo-efetividade da implementação de um rastreio, demonstrando um potencial de redução da mortalidade em 25 % numa população de alto risco.

“O cancro do pulmão continua a ser a principal causa de mortalidade por cancro em todo mundo. Desde o ano de 2011 que é claro que o rastreio do cancro do pulmão em indivíduos de alto risco, reduz a mortalidade em pelo menos 20%. A União Europeia, desde 2022, considera haver necessidade de iniciar o rastreio do cancro do pulmão na Europa. O estudo agora publicado prova claramente que o rastreio do Cancro do Pulmão é custo-efetivo em Portugal, cria valor em saúde e a sua implementação necessita só de 1/3 dos custos aceitáveis, de acordo com as recomendações da OMS para os rastreios. Torna-se assim inquestionável a implementação urgente do rastreio do cancro do pulmão em Portugal”, acrescenta Venceslau Hespanhol, pneumologista no Hospital CUF.

“O rastreio do cancro do pulmão em Portugal deve ser a opção preferencial para o diagnóstico de doentes com cancro do pulmão, na população de alto risco em comparação com o percurso clínico atual”, concluem os especialistas que realizaram a análise.

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