“A situação continua a agravar-se porque continuamos de certa forma a despejar no mercado de trabalho, que já está saturado, jovens médicos dentistas que acabam por ter as perspetivas profissionais muito reduzidas e de ser difícil manterem uma situação profissional estável e realizar as suas vidas do ponto de vista familiar”, comenta Miguel Pavão, bastonário da OMD.
O abandono da profissão em território nacional ocorre, normalmente, no final do primeiro ano de trabalho, resultando numa procura por oportunidades no estrangeiro. Pelo segundo ano consecutivo, a taxa de crescimento é de dois dígitos, situação que não acontecia desde 2019.
“É o segundo maior aumento de sempre. Só em 2022 é que tínhamos assistido a um aumento tão grande [258]”, acrescenta.
Atualmente, mais de metade das inscrições suspensas correspondem a profissionais a exercer principalmente em França, Reino Unido e Espanha, deixando Portugal com um médico dentista por 796 pessoas. A Área Metropolitana do Porto encontra-se com excesso de profissionais, enquanto as regiões do Baixo Alentejo e Alentejo Litoral enfrentam escassez.
“Nas 25 regiões do país há 19 com uma baixa densidade de médicos dentistas. Isto demonstra que há oportunidades pelo país fora, mas naquilo que é a escolha de um jovem entre exercer no interior do país ou emigrar, a opção tem sido emigrar”, afirma Miguel Pavão.
O estudo mostra que apenas as regiões do Oeste, Lezíria do Alentejo, Alto Alentejo e Alentejo Central estão dentro dos parâmetros da Organização Mundial de Saúde (OMS).
Miguel Pavão manifesta preocupação com o elevado número de alunos nas instituições de ensino superior, notando que Portugal é o segundo país que mais dentistas forma na União Europeia, segundo dados do Eurostat.
Fonte: Lusa


