“Agora conseguimos, através de deteção de anticorpos, perceber se aquela criança vai ter diabetes ou não. Se detetarmos esses anticorpos, sabemos que num prazo de x anos, normalmente ao fim de cinco anos, uma criança abaixo dos 10 anos vai ter diabetes de certeza”, explica.
Apesar do projeto ainda não estar aprovado, Catarina Limbert acredita que vai avançar devido ao aumento do número de crianças diagnosticadas. Segundo a especialista, Portugal tem cerca de 38 000 habitantes com diabetes tipo 1, das quais três a quatro mil são jovens com menos de 15 anos.
A especialista caracteriza a doença como complexa, exigindo muitos cuidados por parte das famílias para manter as crianças saudáveis. Além disso, as necessidades especiais, como administrar insulina e calcular o que comem, são alvo de estigma.
“Há sempre um rótulo sobre estas famílias e sobre estas crianças quando existe alguém com esta doença”, lamenta, assinalando os progressos feitos nas escolas para integrar os diagnosticados. “Entretanto, a DGS e o Programa Nacional da Diabetes têm feito um esforço muito grande para tornar obrigatório nas escolas um apoio especial a estas crianças e isso tornou-se um decreto-lei”, esclarece.
Sobre a 50.ª reunião anual da International Society for Pediatric and Adolescent Diabetes (ISPAD), que decorre em Lisboa até sábado e reúne dois mil investigadores, a pediatra explica a escolha deste tema: “estamos num momento de viragem na diabetes pediátrica em que estão a surgir novas medicações que atuam na causa da doença” que “carece de uma tecnologia muito especial de perfusão de insulina contínua e de monitorização contínua”.
O apelo é para que se tire partido dos medicamentos imunomoduladores que atrasam o aparecimento da diabetes, rastreando os jovens.
Fonte: Lusa


