Falhas no sistema informático em mais de 90 % das USF

18/10/24
Falhas no sistema informático em mais de 90 % das USF

Um estudo realizado pela Associação Nacional de Unidades de Saúde Familiar (USF-AN) mostra que mais de 90 % das Unidades de Saúde Familiares (USF) enfrentaram problemas no sistema informático mais do que três vezes, sendo que 55,9 % admitiram que os constrangimentos ultrapassaram as 11 ocorrências. Aém disso, a maioria das unidades não dispõe do material essencial para teleconsultas.

“Um problema crónico que demonstra a pouca resistência das aplicações a falhas de hardware ou software bem como a frágil rede de internet disponível nas unidades”, indica o documento.

Segundo 75 % dos coordenadores das USF, a resolução dos problemas técnicos ocorre no mesmo dia em que são reportados, embora com “atrasos importantesEm 7 % dos casos, a resolução acontece no dia seguinte e, em 4,7 %, apenas 48 horas depois.

“O Momento Atual dos Cuidados de Saúde Primários em Portugal” expõe que as indisponibilidades informáticas afetaram a qualidade dos cuidados prestados em quase todas (97,5 %) as USF. Os 495 coordenadores que participaram no estudo também afirmaram que os equipamentos fornecidos não são adequados às necessidades, incluindo na lista esfigmomanómetros, otoscópios, balanças, frigoríficos e termómetros.

Ainda assim, “parecem existir mudanças neste contexto, com uma tendência crescente da percentagem de USF que considera que este material se encontra adequado desde 2021/22”, explica o estudo. Cerca de 6,7 % dos que participaram, prefere um sistema de consultas à distância, uma subida face aos 5,6 % do estudo anterior.

Quanto ao número de profissionais, a situação tem vindo a melhorar nos últimos quatro anos, ainda que, em média, falte um em cada grupo profissional nas USF, em comparação com o que está acordado. A carência é mais evidente entre médicos, secretários clínicos e enfermeiros.

A maioria dos recursos humanos das Unidades de Saúde Familiar (61,2 %) realiza trabalho extraordinário para responder às necessidades da população, sem receber compensação pelas mesmas. Também no último ano, em 82,3 % das USF, houve pelo menos um profissional ausente mais de 30 dias, sendo a substituição feita pelos colegas da mesma equipa, o que os sobrecarrega.

Fonte: Lusa

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