FNAM critica plano de reorganização para urgências de Obstetrícia e Pediatria

22/10/24
FNAM critica plano de reorganização para urgências de Obstetrícia e Pediatria

Um plano para reorganizar as urgências de Obstetrícia, Ginecologia e Pediatria foi apresentado esta terça-feira, 22 de outubro, e Joana Bordalo e Sá, presidente da Federação Nacional dos Médicos (FNAM) aponta falhas, afirmando que se trata de “um plano vazio” que “não vai resolver os problemas do Serviço Nacional de Saúde (SNS). Não passa de pura propaganda”.

De acordo com Alberto Caldas Afonso, coordenador do grupo de trabalho, no caso das pulseiras azuis, o Governo vai criar uma linha telefónica para desviar os casos não-urgentes das urgências pediátricas, encaminhando-os para consultas agendadas nos centros de saúde em 48 horas. As crianças com pulseira verde serão orientadas para uma consulta aberta no centro de saúde com atendimento garantido em 24 horas. As urgências hospitalares só irão admitir casos encaminhados por outras unidades hospitalares, pelos médicos assistentes ou pelo INEM.

No caso das grávidas, é necessário ligar para a Linha SNS Grávidas antes de recorrer à urgência hospitalar de Ginecologia e Obstetrícia, aplicando o mesmo esquema das crianças: se triada com a pulseira verde, é encaminhada para uma consulta aberta hospitalar em 24 horas; com pulseira azul, será enviada para uma consulta aberta nos cuidados de saúde primários no dia útil seguinte ou para uma consulta normal. Se a grávida optar por não realizar a chamada e se dirigir diretamente à urgência, será observada por um enfermeiro especialista em saúde materna e Obstétrica.

Segundo a presidente da FNAM, o ministério da Saúde quer “ter um Serviço Nacional de Saúde na área materna, infantil e pediátrica refém de linhas telefónicas em substituição do atendimento presencial”, o que degrada a qualidade do serviço. “No caso das crianças, eles dizem que, se forem situações menos graves, remetem para os centros de saúde, onde nós sabemos que as agendas estão cheias e onde há falta de médicos”, acrescenta.

As linhas de atendimento vão ser geridas por enfermeiros com formação obrigatória para triagem, assegurando o encaminhamento rápido dos utentes que as contactarem. O coordenador do plano salienta que estas medidas vão permitir retirar cerca de 45 a 50 % das situações não-urgentes e que atualmente sobrecarregam os recursos humanos.

“Nos últimos 50 anos, nós tínhamos dos melhores resultados de saúde materno/infantil, a própria mortalidade geral da população era das mais baixas” do mundo, mas hoje “nós vemos que, com estas medidas que são vazias, em particular deste Ministério da Ana Paula Martins, as coisas estão a piorar”, afirma a presidente da FNAM.

O plano avança como projeto-piloto nas regiões de Lisboa e Vale do Tejo, Oeste e Península de Setúbal, onde se registam as maiores dificuldades. Para apoiar a nova gestão, Porto e Lisboa terão centros de atendimento clínicos pediátricos (CAC) para receber crianças triadas pelos hospitais da região como não-urgentes.

O CAC pediátrico do Porto vai funcionar no Hospital da Prelada, onde já existe o CAC de adultos. O objetivo é receber as crianças reencaminhadas pelo centro hospitalar do Porto e pelos hospitais de Matosinhos e de Gaia. Em Lisboa, o CAC pediátrico irá funcionar no Hospital da Cruz Vermelha para receber as crianças enviadas pelos hospitais Santa Maria, Dona Estefânia e São Francisco Xavier.

Não foi definida uma data para a abertura dos CAC, mas Alberto Caldas Afonso indica que espera que aconteça “antes do pico de inverno das infeções respiratórias”, de modo a evitar que as crianças “passem tempos intermináveis nas urgências”, como é comum nesta época.

Este grupo de trabalho teve o cuidado de "partilhar as propostas com todos os Conselhos de Administração das Unidades Locais de Saúde", envolvendo diretores dos serviços de Pediatria e Ginecologia e Obstetrícia e dando-lhes tempo para receber as suas sugestões e comentários para melhorar a proposta. "A maioria fazia sentido, o que mostra que as pessoas estão motivadas, e estão refletidas no documento", conclui o coordenador responsável pelo plano.

Fonte: Lusa

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