Gravidez de alto risco sem acompanhamento é uma das causas para o aumento de óbitos fetais

23/10/24
Gravidez de alto risco sem acompanhamento é uma das causas para o aumento de óbitos fetais

Alberto Caldas Afonso, pediatra e coordenador do grupo de trabalho responsável pelo plano de reorganização das urgências de Obstetrícia, explica que o aumento de óbitos fetais e neonatais em Lisboa e no Porto deve-se não só ao número de casos de alto risco, mas também a gravidezes sem vigilância.

“Neste momento, temos 22 % de nascimentos de filhos de mães não portuguesas. Muitas delas entram no bloco de parto sem termos qualquer conhecimento da história obstétrica daquelas senhoras e, portanto, eu imagino que aí está uma parte significativa deste número”, afirma Alberto Caldas Afonso, referindo-se aos dados divulgados pela Entidade Reguladora da Saúde (ERS).

Segundo estes mesmos dados, foram registados 738 óbitos fetais e neonatais (até 28 dias de vida), contra 312 em 2023. “Uma [das razões] é que nos grandes centros, como é o caso de Lisboa e do Porto, todas as gravidezes de alto risco, de grandes comorbilidades, vão para os hospitais centrais”, aponta.

O pediatra ressalva que, em caso de morte, é essencial avaliar a situação para entender o que aconteceu. “Se queremos ser sérios, se queremos ser rigorosos, eu tenho que conhecer primeiro a causa de morte, para depois poder de facto perceber de uma maneira correta, cientificamente validada as razões”, acrescenta.

Fonte: Lusa

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