Ministra da Saúde assume responsabilidade por crise no INEM, mas sindicato exige substituição

12/11/24
Ministra da Saúde assume responsabilidade por crise no INEM, mas sindicato exige substituição

A ministra da Saúde, Ana Paula Martins, assumiu hoje "total responsabilidade" pelos atrasos no atendimento das chamadas de emergência do Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM), comprometendo-se a implementar uma “refundação” da entidade. Esta posição surge em resposta à recente crise no INEM, associada a greves e problemas de atendimento que, alegadamente, resultaram na trágica morte de 11 pessoas.

Durante a sua intervenção no parlamento, no âmbito da discussão do Orçamento do Estado para 2025, Ana Paula Martins lamentou profundamente as consequências dos atrasos, apresentando um pedido de desculpas às famílias afetadas. “Assumo total responsabilidade pelo que correu menos bem e comprometo-me, em nome do Governo, a executar as medidas necessárias para a refundação do INEM”, afirmou. A ministra destacou que a reorganização dos serviços de urgência e emergência é uma “prioridade máxima” e anunciou que os tempos médios de espera das chamadas ao INEM, que subiram de 12 segundos em 2021 para 68 segundos em 2024, serão agora divulgados no site da instituição.

Apesar das declarações da ministra, a Federação Nacional dos Médicos (Fnam) pediu hoje a sua substituição, alegando que "não tem condições para continuar no cargo". A Fnam criticou a gestão do Ministério da Saúde e apontou o caos no INEM como mais um reflexo de uma crise generalizada no Serviço Nacional de Saúde (SNS), marcada por demissões consecutivas de Conselhos de Administração de Unidades Locais de Saúde e por nomeações que descreve como “injustificadas”. O sindicato afirma que “as sucessivas tragédias são o resultado das opções políticas” da ministra, que acusa de ignorar as advertências dos profissionais do INEM quanto às condições de trabalho e ao risco de falhas no atendimento.

A Fnam recordou que há três meses já havia solicitado a substituição da liderança do Ministério da Saúde, que, segundo o sindicato, só recentemente deu atenção aos problemas após as mortes e os conflitos generalizados. O sindicato defende que uma liderança mais “democrática e transparente” é essencial, sugerindo que os cargos técnico-científicos sejam atribuídos por eleição e não por nomeação política.

Durante a audição parlamentar, Ana Paula Martins justificou que o acumular de greves da função pública e dos técnicos de emergência comprometeram o serviço, sendo que, no dia 4 de novembro, pelo menos um turno de oito horas não cumpriu os serviços mínimos devido à falta de recursos humanos. A ministra reconheceu a necessidade de melhorar as condições de trabalho e assegurou que serão tomadas medidas para apurar responsabilidades sobre os atrasos.

Fonte: Lusa

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