“O que é preocupante é que temos muitas pessoas identificadas, muitas pessoas em risco e isso faz prever que, nos próximos anos, possivelmente estes números vão continuar a aumentar”, adianta a diretora do PND.
A Direção-Geral da Saúde (DGS) regista um alerta: mantém-se a tendência crescente verificada nos últimos anos e, tendo em conta o elevado número de pessoas que desconhecem o seu diagnóstico, deverão existir mais de um milhão de portugueses com diabetes. “Ainda falta fazer uma aposta na prevenção”, refere a diretora, salientando que é mais barato prevenir do que tratar a doença.
O relatório indica também que em 2022 verificaram-se 254 516 admissões hospitalares de pessoas com diagnóstico de diabetes, sendo que em 21,1 % dos casos a doença constituiu o diagnóstico principal, com uma duração média de internamento de dez dias, superior à média geral dos internamentos no SNS que foi de 8,6 dias. Nesse ano, a diabetes foi responsável por 3 727 mortes, correspondendo a 3 % dos óbitos em Portugal, dos quais 9,4 % ocorreram em pessoas com menos de 70 anos.
“Em 2022, a diabetes foi responsável por 2 838 anos potenciais de vida perdidos abaixo dos 70 anos, com uma média de 8,1 anos de vida perdidos por cada óbito ocorrido abaixo dessa idade”, lê-se no documento.
No que à diabetes tipo 2 diz respeito, em 2021 e 2023, nos cuidados de saúde primários, foram identificados cerca de 3,4 milhões de utentes com, pelo menos, uma avaliação de risco, correspondendo globalmente a 55 % da população alvo, dos quais mais de um milhão (31,9 %) com risco moderado, alto ou muito alto.
A diretora do PND denuncia a obesidade, mas também o sedentarismo e o envelhecimento da população, como as causas para a elevada prevalência da doença em Portugal. “Se conseguíssemos prevenir a obesidade, iríamos prevenir a maior parte dos casos de diabetes”, refere Sónia do Vale.
Para 2025-2027, o PND propõe reduzir o desenvolvimento da diabetes em pessoas em risco, aumentar o número de diagnósticos precoces e reduzir a morbilidade e mortalidade por diabetes através de um plano de ação. Terá sido delineado um programa para prevenção baseado nos cuidados de saúde primários, existindo a necessidade de envolver a comunidade e as autarquias, no sentido de apoiarem programas de prevenção e controlo da diabetes, refere a diretora.
A despesa total com antidiabéticos estabilizou em 2023 — 494 milhões de euros em 2022 e 493 milhões de euros em 2023 —, após aumentos acentuados nos anos anteriores, adianta o documento. Estima-se que entre 35 000 e 40 000 pessoas em Portugal tenham diabetes tipo 1.
Fonte: Lusa


