Percentagem de hospitais com rutura de medicamentos ultrapassa os 90 %

15/11/24
Percentagem de hospitais com rutura de medicamentos ultrapassa os 90 %

O Índex Nacional de Acesso ao Medicamento Hospitalar 2024, promovido pela Associação Portuguesa dos Administradores Hospitalares (APAH), indica que mais de 90 % dos hospitais do Serviço Nacional de Saúde (SNS) tiveram rutura de medicamentos em 2023. As dificuldades foram ultrapassadas recorrendo a outras unidades de saúde, alternativas terapêuticas ou pedidos de utilização excecional.

“Sempre tivemos uma enorme percentagem de hospitais com ruturas por razões diversas: ou porque há quedas na produção, ou porque há interrupções temporárias da produção de algum medicamento”, diz, Xavier Barreto, presidente da APAH, acrescentando que “sempre foram resolvidas".

Os dados recolhidos mostram que 93,1 % dos hospitais considera que as ruturas são “um problema grave que afeta todo o tipo de medicamentos”, mas a maioria tem medidas que mitigam o efeito destas falhas. Além disso, as unidades de saúde apontam que 37,9 % das ruturas afetam essencialmente os medicamentos genéricos e mais de metade (55,1 %) manifesta que abrangem todos os fármacos. Em quase metade dos hospitais que responderam, a rutura acontece diariamente, 24,1 % assinala ser todas as semanas e 13,8 % aponta que é um problema mensal.

“Preferíamos não ter [ruturas], pois, quando temos, obrigamos os profissionais a trabalho adicional. Têm de telefonar para colegas de outros hospitais e perguntar se lhes podem emprestar um determinado medicamento até conseguirem comprar, têm que recorrer a alternativas terapêuticas ou outros medicamentos para suprir aquela falha. Mas isto sempre aconteceu”, completa.

O Índex Nacional de Acesso ao Medicamento Hospitalar 2024 foi elaborado com dados recolhidos entre 15 de julho e 30 de setembro nos hospitais do Serviço Nacional de Saúde e teve 69 % de taxa de resposta.

Fonte: Lusa

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