Estudo indica que análises a doentes com traumatismo craniano podem reduzir recurso a TAC

19/11/24
Estudo indica que análises a doentes com traumatismo craniano podem reduzir recurso a TAC

A Unidade Local de Saúde do Tâmega e Sousa (ULSTS) partilha conclusão do estudo que fez sobre doentes com traumatismo cranioencefálico: é possível evitar a utilização da tomografia computadorizada (TAC) em cerca de 23 % dos casos com recurso a análises sanguíneas. Esta opção permite evitar a realização de exames com radiação.

“O que nós pretendíamos era dar um passo em frente e apresentar numa sociedade científica que esta análise sanguínea tem muita validade clínica”, explica Carla Freitas, diretora do serviço de urgência da ULSTS.

Cerca de 300 utentes com diagnóstico de traumatismo cranioencefálico (TCE) participaram, de maio a agosto, no estudo, o maior do género já realizado em Portugal. Posteriormente, este foi apresentado no 1.º Congresso Nacional de Medicina de Urgência e Emergência, que decorreu no Porto, ficando premiado.

O trabalho recorreu a análises sanguíneas para avaliar a presença ou ausência de biomarcadores indicativos da presença de lesão, sendo que o trabalho abrangeu utentes admitidos no serviço com TCE ligeiros, com menos de 12 horas de evolução e com indicação para realização de TAC cerebral.

Com uma combinação de testes laboratoriais, o estudo permite perceber quais os doentes que apresentam um resultado positivo potencialmente indicativo de traumatismo com lesão cerebral. Se o resultado for positivo, os utentes são encaminhados para realização de TAC. Caso contrário, não terão necessidade de um exame de imagem, dado que a ausência dos biomarcadores permite excluir o diagnóstico de TCE.

A diretora do serviço de urgência destaca que os resultados permitem avançar para novos estudos, com o objetivo de se padronizar esta ferramenta de diagnóstico no futuro nos serviços de urgência hospitalares, em termos nacionais.

A maioria dos doentes incluídos no estudo (57,6 %) apresentava idade superior a 70 anos, sendo 53,4 % do sexo feminino. Destes, 83,4 % recorreu ao serviço de urgência no contexto de queda.

Fonte: Lusa

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