O rastreio, decorrido entre outubro de 2022 e maio de 2023, foi promovido pela Associação em centros comerciais e eventos desportivos sobretudo da região Norte. A maioria dos participantes tinha osteoporose ou estava em risco de a desenvolver.
A prevalência de osteoporose (15 %) encontrada neste estudo é superior à de trabalhos anteriores e, nos homens, a prevalência da doença chega aos 13 %, algo que está “bem acima do que estava descrito”, refere o documento.
“Esta é uma doença crónica silenciosa. Às vezes ouvimos os doentes dizer que têm osteoporose na anca ou na coluna e não é verdade. Não é uma doença localizada, é uma doença sistémica. Às vezes pode nem ter sintomas ou ter apenas sintomas só quando já há fraturas”, explica Daniela Santos Oliveira, investigadora da FMUP.
Depois deste rastreio, a investigadora defende uma ação mais ativa por parte dos cuidados de saúde primários para que se saiba os números nacionais reais.
“Acredito que haja um subdiagnóstico nesta doença. Acredito que estejamos só a diagnosticar quando efetivamente já há fratura e não é isso que se deseja. Queremos diagnosticar antes”, sublinha.
Para obter estes dados, os voluntários foram submetidos a uma densitometria para que fosse possível identificar situações de perda de massa óssea. Cerca de um quarto das pessoas estudadas tinha “história prévia de pelo menos uma fratura associada a trauma de baixo impacto e a fragilidade óssea”. Além de que “mais de 10 % dos indivíduos reportaram perda da altura ao longo do tempo, o que pode ser sugestivo de fraturas vertebrais”, lê-se no resumo do estudo.
“Embora a densitometria óssea seja fundamental para o rastreio e diagnóstico da osteoporose, esta não deve ser considerada de forma isolada, dado que, mesmo com valores normais, mais de 25 % dos indivíduos têm história de fratura de fragilidade óssea. O diagnóstico precoce é fundamental para prevenir perda de massa óssea e, consequentemente, futuras fraturas de fragilidade óssea”, insiste Daniela Santos Oliveira.
A conclusão do estudo reforça que o principal foco “deve ser a prevenção de fraturas através da redução do risco de quedas. Existem várias medidas simples que podem ajudar a diminuir esse risco, incluindo ajustes na habitação (como a remoção de tapetes) e o uso de calçado apropriado. Dependendo do risco de fratura, podem ser prescritos suplementos de cálcio e vitamina D e fármacos específicos para a osteoporose, como os bifosfonatos”.
Fonte: Lusa


