Número de dentistas em situação ilegal aumenta no serviço público e social

25/11/24
Número de dentistas em situação ilegal aumenta no serviço público e social

Dados do estudo Diagnóstico à profissão 2024, feito pela Ordem dos Médicos Dentista (OMD), mostra um aumento do número de profissionais em situação ilegal no Serviço Nacional de Saúde (SNS) e no setor social, onde apenas 4,1 % dos dentistas exercem a profissão em hospitais ou centros de saúde.

Foram inquiridos 3 036 médicos dentistas concluindo que mais de um terço (35,2 %) estão integrados como Técnicos Superiores do Regime Geral, uma carreira não específica para a execução de atos médicos. “Este valor representa um aumento de seis pontos percentuais em relação ao anterior anterior estudo feito em 2022, que visa revelar os principais indicadores da atividade de Medicina Dentária em Portugal”, refere a OMD.

O estudo permite também concluir que 43,5 % estão contratados em regime de recibos verdes (22,3 % diretamente com a Administração Regional de Saúde e 21,3 % mediante empresa intermediária).

“Apesar dos nossos alertas ao longo dos últimos anos, os sucessivos governos fingem que esta realidade não existe. A solução para este problema só depende da vontade política de criar a carreira de medicina dentária no SNS”, defende Miguel Pavão, bastonário da OMD. O especialista explica que este aumento pode ser uma solução temporária para colocar em funcionamento os mais de 30 consultórios que estavam parados nos centros de saúde.

Os restantes dados apontam um aumento do número de profissionais a exercer no estrangeiro (8,2 % em 2024), dos quais 2,5 % exercem também em Portugal e 5,7 % exclusivamente no estrangeiro. Entre os médicos que trabalham exclusivamente no estrangeiro, mais de metade (53,6 %) garante que não pretende voltar a exercer em Portugal.

Esta escolha deve-se a vários fatores: 65,4 % não conseguiam ter um rendimento satisfatório em Portugal; 57,1 % consideram que em Portugal não se valoriza a profissão. Destes, 37,5 % encontra-se no ativo em França, 12,9 % no Reino Unido e 7,9 % na Suíça e nos Países Baixos.

Segundo os dentistas, uma das preocupações atuais é a especialidade não ser reconhecida como uma profissão de desgaste rápido. O crescimento dos seguros e planos de saúde e o aumento do número de médicos dentistas pagos abaixo do expectável face às habilitações também estão no topo das preocupações, refere a OMD.

Segundo o estudo, 70,1 % dos inquiridos demoraram entre um e seis meses a iniciar a atividade no mercado de trabalho, e 61,1 % exercem a atividade em clínicas ou consultórios de outrem. Por semana, 82,7 % atendem mais de 25 utentes. Outras conclusões indicam que 17 % dos médicos dentistas a exercer em Portugal auferem um rendimento mensal bruto inferior a 1 500 euros, o mesmo acontecendo com 1,2 % dos profissionais que exercem no estrangeiro.

Fonte: Lusa

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