Entre aqueles que já tiveram a primeira consulta, a maioria parece partilhar dificuldades relacionadas com a nova realidade que está a viver. Diogo Lima, um dos psicólogos inscritos na bolsa de profissionais constituída pela Ordem dos Psicólogos e que, desde a entrada em vigor da medida, está a acompanhar três estudantes, refere que “dois deles sofrem com uma das problemáticas que eu já antevia e que está relacionada com a ansiedade nos momentos de avaliação”, porque, muitas vezes, a pressão imposta até pelos próprios motiva picos de ansiedade.
Para muitos estudantes, ingressar no ensino superior implica a adaptação a um ambiente totalmente novo: nova escola, novos professores, novos colegas e cidade diferente, sem a família e amigos. Essa adaptação pode ser difícil, explica Diogo Lima, que acrescenta que “tudo o que é uma novidade também acaba por trazer momentos de ansiedade”.
Apesar das limitações, os especialistas consideram tratar-se de uma boa medida, mas reconhecem também que alguns casos poderão deixá-los com o dilema de aceitar ou não os estudantes.
No âmbito da medida, anunciada pelo Governo ainda no verão, o estudante tem acesso a duas consultas iniciais de diagnóstico e, se cumprir os critérios, recebe depois os restantes dez cheques. Os alunos com necessidades educativas específicas, que apresentem comportamentos aditivos, com diagnóstico de perturbação psicótica ou bipolar, ou de perturbação da personalidade, pensamentos suicidas e sintomas com duração superior a um ano e meio, ficam de fora e não continuam as consultas.
Fonte: Lusa


