Estudo português: crianças que consomem mais alimentos ultra processados crescem mais lentamente

04/12/24
Estudo português: crianças que consomem mais alimentos ultra processados crescem mais lentamente

Os Investigadores são do Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto (ISPUP) e acrescentam que o aumento de peso é mais rápido nestes casos. No estudo, foram avaliados diferentes padrões de consumo ao longo da infância.

“As conclusões revelaram que um consumo elevado de alimentos ultra processados na infância foi associado a uma maior aceleração no peso corporal, no índice de massa corporal, no perímetro de cintura e na percentagem de massa gorda na adolescência”, esclarece Vânia Magalhães, autora do projeto. 

A investigação recorreu a dados de 8 647 crianças de um estudo longitudinal do instituto que, desde 2005, acompanha as crianças que nasceram nas maternidades públicas da Área Metropolitana do Porto e as suas mães. O consumo alimentar das crianças foi avaliado aos quatro, sete e dez anos, através de questionários, tendo os alimentos sido classificados de acordo com o grau de processamento.

Foram identificados quatro padrões de consumo de alimentos ultra processados entre os quatro e dez anos: "consumo constantemente inferior" (15,4 % da amostra), "consumo constantemente intermédio" (56,4 % da amostra), "transição de consumo inferior para superior", isto é, inferior aos quatro e sete anos e elevado aos dez (17,2 % da amostra) e "consumo constantemente superior" (17,1 % da amostra). Aos quatro anos, 16,9 % dos alimentos que consumiam diariamente eram ultra processados, aos sete anos 19,4 % e aos dez anos 25,6 %.

Para avaliar o peso corporal, altura, índice de massa corporal, perímetro da cintura e percentagem de massa gorda os investigadores analisaram a informação desde os quatro aos 13 anos. O consumo elevado destes alimentos traduziu-se numa “menor aceleração na altura”.

“Curiosamente, não foi encontrado qualquer padrão de diminuição do consumo de alimentos ultra processados ao longo do tempo”, destaca Vânia Magalhães.

Os investigadores avaliaram ainda se as trajetórias de crescimento e adiposidade ao longo da infância estavam relacionadas com padrões de consumo de alimentos ultra processados. “Os nossos resultados mostraram que a dose e duração da exposição a alimentos ultra processados contribuem para piores trajetórias de crescimento e adiposidade nestas idades”, acrescenta.

Segundo a autora, os resultados do estudo apontam para a necessidade de “intervenções precoces que limitem o consumo de alimentos ultra processados, para promover um crescimento adequado nas crianças e nos jovens”, conclui.

Fonte: Lusa

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