Esta conclusão pode estar relacionado com o reduzido investimento na promoção da literacia em saúde da população, que o estudo também constata, sendo de destacar que as prioridades estratégicas mais relevantes para os CIC são a capacitação das equipas (77 %) e a desmaterialização de processos (71 %), recebendo o maior investimento financeiro e não financeiro, evidenciando um alinhamento entre objetivos e investimento.
O projeto da NTT DATA refere que a maioria dos CIC (68 %) considera ter uma autonomia elevada ou total no que respeita à definição da estratégia e à definição de indicadores de desempenho. No entanto, tal não se verifica na contratação de recursos humanos e na atribuição de incentivos aos profissionais, domínio nos quais a autonomia é considerada reduzida (91 %).
83 % dos inquiridos defendem que o tempo protegido para investigação é uma prioridade urgente, mas esta dimensão encontra entraves financeiros e operacionais, o que dificulta a criação de condições adequadas para atrair e reter talento nos centros.
O barómetro evidência igualmente o reconhecimento de um elevado nível de cooperação dos CIC com a Indústria Farmacêutica (83 %)ao passo que o nível de colaboração com as Associações de Doentes é considerado reduzido pela grande maioria das entidades (86 %).
A transformação digital é um dos pontos positivos revelados pelo barómetro, na medida em que 42 % dos CIC avalia o seu nível de digitalização como elevado ou muito elevado. Por sua vez, 29 % consideram o seu nível de digitalização como baixo ou muito baixo. Quando questionados sobre as prioridades tecnológicas, os inquiridos destacam a necessidade de Plataformas de Gestão dos Processos de Ensaios Clínicos (68 %) e a Integração dos Sistemas a nível local (62 %).
“O barómetro de inovação clínica permite-nos caracterizar com bastante exatidão a perspetiva dos Centros de Investigação Clínica em Portugal, graças ao elevado número de entidades respondentes, o que nos permite identificar as oportunidades e desafios estruturais da atividade. Fica evidente que o desenvolvimento de competências e a digitalização de processos é uma prioridade, que a cooperação dos CIC com a indústria farmacêutica é muito próxima, mas residem ainda desafios do ponto de vista de reconhecimento das instituições, da autonomia operacional e no grau de colaboração com Associações de Doentes. Esperamos que este exercício contribua para desenvolver a atividade dos Centros de Investigação Clínica em Portugal, e que as próximas edições do Barómetro revelem essa evolução. Esta é uma indústria com elevado potencial, que pode contribuir tanto para o desenvolvimento económico, como para a melhoria dos cuidados de saúde da população", afirma Patricia Calado, Head of Clinical Innovation da NTT DATA Portugal.
O barómetro de inovação clínica inquiriu a totalidade das Unidades Locais de Saúde (ULS) (39) e os três Institutos Portugueses de Oncologia, bem como quatro grupos privados de saúde, durante os meses de setembro e outubro de 2024, tendo obtido o contributo de 35 entidades. A análise incidiu em quatro dimensões-chave dos Centros de Inovação Clínica: estratégia e reconhecimento, capacidade e autonomia, desenvolvimento de carreiras e transformação digital.


