Um em cada quatro laboratórios aponta atrasos nos pagamentos por parte dos hospitais

05/12/24
Um em cada quatro laboratórios aponta atrasos nos pagamentos por parte dos hospitais

O Inquérito aos Prazos de Recebimento, realizado aos laboratórios associados à Associação Nacional de Laboratórios Clínicos (ANL), recolheu informações sobre os prazos de pagamento das 39 Unidades Locais de Saúde (ULS) no primeiro semestre de 2024. A conclusão identificou um prazo médio de recebimento global declarado pelas empresas de 64 dias.

No que aos maiores prazos médios observados por entidade diz respeito, os dados indicam que 45 % dos laboratórios inquiridos registaram, nos últimos seis meses, pelo menos uma entidade cujo prazo médio de recebimento foi superior a 120 dias, “realidade que representa um desafio significativo para a gestão financeira das organizações”.

“Observa-se uma significativa disparidade nos prazos médios registados nas diferentes ULS a nível nacional. Em 24 das 39 ULS (correspondendo a 62 % destas entidades), os prazos de recebimento são iguais ou inferiores a 60 dias”, destaca o estudo. Nas restantes 15 ULS (representando 38 % do total), os pagamentos são efetuados em prazos bastante superiores.

Destas, quatro destacam-se por apresentarem tempos médios de recebimento superiores a 90 dias: a ULS do Alto Ave (91 dias), a ULS da Guarda (98 dias), a ULS do Baixo Alentejo (103 dias) e a ULS do Nordeste (146 dias).

Este cenário, segundo a ANL, influencia diretamente os fluxos de caixa, com 35 % dos laboratórios a afirmar que os prazos de recebimento têm impacto nas suas finanças. Além disso, cerca de 50 % dos laboratórios associados consideram os prazos praticados no mercado inadequados, apelando a uma revisão das políticas de pagamento em vigor.

As conclusões do inquérito, que contou com uma taxa de resposta representativa de 74 % do volume de negócios dos associados da ANL, expressam “uma profunda preocupação dos laboratórios clínicos privados no que diz respeito à sustentabilidade financeira do setor, com pequenos laboratórios a enfrentarem o risco iminente de rutura devido aos atrasos nos pagamentos”.

Para a ANL, os resultados do relatório “são alarmantes” e reforçam a importância de abordar os atrasos nos recebimentos, com o intuito de zelar pela sustentabilidade do setor, sublinhando que este inquérito será realizado semestralmente, permitindo, assim, acompanhar a evolução dos prazos de recebimento e tomar medidas proativas.

“Os laboratórios clínicos desempenham um papel crucial no sistema de saúde português, pelo que a sua estabilidade financeira é crucial para manter a qualidade e a inovação nos serviços prestados”, afirma a ANL, apelando a todas as entidades para que cumpram os prazos legais e máximos de pagamento.

Fonte: Lusa

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