A análise indica que, nestes 20 concelhos, a oferta passou de cinco para apenas três unidades privadas sem convenção, todas situadas nas regiões de saúde do Norte e Centro. No geral, a oferta publicamente financiada para os utentes do SNS concentra-se em apenas 29 % dos municípios do país (81 dos 278), localizados maioritariamente no Norte e Centro, abrangendo 63 % da população de Portugal continental. As regiões do Alentejo e do Algarve apresentam a menor cobertura, com acesso público disponível em apenas nove concelhos.
Entre 2022 e 2023, o rastreio do cancro do cólon e reto, uma medida preventiva essencial, registou um aumento de 3,8 %, com 587 rastreios por mil habitantes na faixa etária dos 50 aos 74 anos. Apesar deste progresso, a oferta de serviços de endoscopia gastrenterológica continua desigual. Cerca de 70 % dos 641 estabelecimentos com capacidade para realizar estes exames estão concentrados nas regiões de saúde do Norte e Lisboa e Vale do Tejo.
A falta de acesso é particularmente grave nos concelhos com os rácios mais elevados de óbitos por doenças do aparelho digestivo, onde 17 dos 20 municípios analisados não dispõem de unidades com capacidade para prestar este serviço, mesmo no setor privado. Os únicos municípios com unidades privadas são Valpaços, Macedo de Cavaleiros e Ansião, mas estas não possuem convenção com o SNS.
O número de óbitos em Portugal devido a doenças do aparelho digestivo tem vindo a aumentar, registando um crescimento médio anual de 2 % entre 2013 e 2021, segundo dados do Instituto Nacional de Estatística (INE). Embora a mortalidade por cancro do cólon e reto tenha diminuído 1 % ao ano no mesmo período, as taxas continuam acima da média da OCDE, apontando para a necessidade de reforçar a prevenção e o acesso aos cuidados de saúde.
O relatório da ERS destaca a importância de melhorar a distribuição dos serviços de endoscopia e aumentar o rastreio populacional, particularmente em áreas com maior incidência de doenças do aparelho digestivo, como parte essencial de uma estratégia de saúde pública mais equitativa e eficaz.
Fonte: Lusa


