Ministra da Saúde admite necessidade de melhorias no funcionamento do INEM

11/12/24
Ministra da Saúde admite necessidade de melhorias no funcionamento do INEM

A ministra da Saúde, Ana Paula Martins, reconheceu hoje, 11 de dezembro, que o Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) mobiliza meios diferenciados para situações que não exigem tal nível de resposta, um problema que resulta em subutilização dos recursos. A governante, que está a ser ouvida na Comissão Parlamentar de Saúde sobre o funcionamento do INEM, apontou que “mais de 80 % dos meios acionados poderiam ser rentabilizados”, destacando a necessidade de maior articulação e eficiência.

“A articulação tem de ser melhor”, afirmou Ana Paula Martins, reconhecendo legitimidade em muitas das queixas apresentadas pelos bombeiros sobre o sistema. Entre os problemas identificados estão a ausência de georreferenciação eficaz, a falta de uma aplicação para auxiliar no atendimento a falantes de outras línguas e a inexistência de tecnologias que agilizem a transferência de informações recolhidas para os hospitais.

A ministra rejeitou qualquer ideia de privatização do Centro de Orientação de Doentes Urgentes (CODU) e defendeu a manutenção de meios próprios de triagem no INEM. Contudo, sublinhou a necessidade de modernizar o sistema, incluindo a implementação de soluções tecnológicas apoiadas por inteligência artificial para facilitar o trabalho dos técnicos e melhorar a eficiência no atendimento de emergências.

Quando questionada sobre a comissão técnica independente anunciada no verão para estudar o funcionamento da emergência médica, a ministra admitiu desconhecer quem será responsável pela sua coordenação ou o prazo para a conclusão dos trabalhos.

Ana Paula Martins também abordou o plano de emergência da saúde, apresentado em maio, reconhecendo que, à época, o Governo não dispunha de uma avaliação tão detalhada sobre a situação do INEM como possui atualmente. “Sabendo o que sei hoje, teria lá mais três ou quatro medidas que fazem parte da refundação do INEM de que tanto se fala”, afirmou.

Relativamente ao serviço de socorro, a ministra lembrou que 93 % da atividade do INEM já é externalizada, admitindo a possibilidade de estabelecer contratos-programa plurianuais com parceiros, como os bombeiros, para melhorar a gestão e articulação dos serviços.

Por fim, sobre as alegações de falta de resposta do INEM que poderão estar na origem de 11 mortes durante greves na saúde, e face às críticas por ter assumido a responsabilidade pela Inspeção Geral das Atividades em Saúde (IGAS), a ministra disse: “Nada do que eu diga vai convencer quem acha que isto foi para ter controlo sobre as decisões da IGAS.”

A sessão na Comissão Parlamentar destacou a urgência de reformular o funcionamento do INEM, com a ministra a comprometer-se com medidas concretas que visam aumentar a eficiência e garantir respostas mais adequadas às emergências médicas.

Fonte: Lusa

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