Segundo Albino Oliveira-Maia, os alimentos com maior teor calórico foram os preferidos tanto entre indivíduos com como sem obesidade, apesar dos seus sabor e textura serem semelhantes.
Foram dados aos participantes iogurtes magros doces, com ou sem maltodextrina. Os participantes ingeriram o iogurte em casa, alternando entre o iogurte que tinha maltodextrina e o iogurte simples. Nos três grupos, os participantes comeram mais iogurte que continha maltodextrina, apesar de classificarem ambos como igualmente agradáveis. Os efeitos da maltodextrina no consumo de iogurte foram semelhantes nos indivíduos com obesidade em relação aos participantes sem obesidade.
Os investigadores utilizaram a marcação com iodo radioativo e a tomografia computorizada de emissão de fotão único para visualizar os recetores de dopamina no cérebro. De forma consistente com estudos anteriores, os indivíduos com obesidade apresentaram menor disponibilidade de recetores de dopamina do que os controlos sem obesidade. A disponibilidade de recetores de dopamina foi semelhante nos grupos cirúrgico e não obeso e esteve associada a níveis mais elevados de restrição alimentar.
Estes resultados sugerem que as alterações cerebrais relacionadas com a obesidade podem ser revertidas após a cirurgia bariátrica, impactando potencialmente a quantidade de alimentos consumidos, mas não necessariamente os tipos de alimentos preferidos.
Os autores acrescentam: “Ficámos muito intrigados porque, apesar do comportamento estar orientado para a ingestão de iogurtes com maior teor energético, tal não pareceu ser o resultado de escolhas explícitas, uma vez que não foram encontradas alterações consistentes na agradabilidade dos sabores enriquecidos com hidratos de carbono. Por outro lado, é importante salientar que este comportamento se manteve em doentes com obesidade e após cirurgia para perda de peso, embora existissem diferenças importantes no sistema dopaminérgico cerebral.”


