Estudo prova que indivíduos com e sem obesidade preferem alimentos com alto teor calórico

18/12/24
Estudo prova que indivíduos com e sem obesidade preferem alimentos com alto teor calórico

O estudo da Fundação Champalimaud examinou um grupo de voluntários saudáveis, no qual os investigadores compararam preferências alimentares em três grupos: 11 indivíduos com  obesidade, 23 doentes após cirurgia bariátrica e 27 indivíduos de controlo não obesos. O resultado foi publicado na revista PLOS Biology

Segundo Albino Oliveira-Maia, os alimentos  com maior teor calórico foram os preferidos tanto entre indivíduos com como sem obesidade, apesar dos seus sabor e textura serem semelhantes.

Foram dados aos participantes iogurtes magros doces, com ou sem maltodextrina. Os participantes ingeriram  o iogurte em casa, alternando entre o iogurte que tinha maltodextrina e o iogurte simples. Nos  três grupos, os participantes comeram mais iogurte que continha maltodextrina, apesar de classificarem ambos como igualmente agradáveis. Os efeitos da maltodextrina no consumo de iogurte foram semelhantes nos indivíduos com obesidade em  relação aos participantes sem obesidade. 

Os investigadores utilizaram a marcação com iodo radioativo e a tomografia computorizada de emissão de fotão único para visualizar os recetores de dopamina no cérebro. De forma  consistente com estudos anteriores, os indivíduos com obesidade apresentaram menor  disponibilidade de recetores de dopamina do que os controlos sem obesidade. A disponibilidade de recetores de dopamina foi semelhante nos grupos cirúrgico e não obeso e esteve associada  a níveis mais elevados de restrição alimentar.

Estes resultados sugerem que as alterações  cerebrais relacionadas com a obesidade podem ser revertidas após a cirurgia bariátrica, impactando potencialmente a quantidade de alimentos consumidos, mas não necessariamente  os tipos de alimentos preferidos. 

Os autores acrescentam: “Ficámos muito intrigados porque, apesar do comportamento estar orientado para a ingestão de iogurtes com maior teor energético, tal não pareceu ser o resultado  de escolhas explícitas, uma vez que não foram encontradas alterações consistentes na  agradabilidade dos sabores enriquecidos com hidratos de carbono. Por outro lado, é importante  salientar que este comportamento se manteve em doentes com obesidade e após cirurgia para  perda de peso, embora existissem diferenças importantes no sistema dopaminérgico cerebral.” 

Partilhar

Publicações