Apesar de a infertilidade masculina representar já cerca de metade dos casos tratados nas clínicas de procriação medicamente assistida, apenas 12 % dos inquiridos mostram muita preocupação com a sua própria fertilidade.
O estudo, realizado entre 23 de setembro e 3 de outubro de 2024, envolveu 100 homens de diferentes regiões do país, e destaca a falta de sensibilização para diversos fatores que podem prejudicar a fertilidade masculina, como obesidade, sedentarismo, e a própria idade. "Talvez o facto de os homens não terem a consciência que as mulheres têm em relação ao declínio da sua fertilidade os leve a pensar que podem ser pais em qualquer altura", afirma Samuel Ribeiro, médico especialista em Medicina da Reprodução e diretor do IVI Lisboa. "Mas, a verdade, é que a fertilidade masculina, segundo alguns estudos, poderá ter diminuído significativamente nos últimos 20 anos."
Embora muitos homens reconheçam que hábitos como o consumo de tabaco e álcool afetam a fertilidade, poucos mencionam outros fatores, como a obesidade ou a falta de exercício físico. Apenas 8 % dos inquiridos apontam o sedentarismo como um problema, apesar de estudos mostrarem que a atividade física pode melhorar a qualidade do esperma.
Outro dado relevante do inquérito foi a mudança na atitude dos homens em relação ao tabu da infertilidade masculina. De acordo com o estudo, metade dos homens entre os 30 e os 50 anos afirmam que falariam abertamente com familiares e amigos sobre problemas de fertilidade, um sinal positivo de maior abertura para discutir o tema. "O facto de, nos últimos anos, se debater mais as questões da infertilidade, tanto feminina como masculina, faz com que as pessoas não se sintam tão estigmatizadas", conclui Samuel Ribeiro.
Este inquérito teve como objetivo alertar para a necessidade de aumentar a conscientização sobre os riscos que podem afetar a fertilidade masculina e promover hábitos saudáveis para melhorar as chances de paternidade.


