Casos de gonorreia e sífilis aumentaram na Europa em 2023

11/02/25
Casos de gonorreia e sífilis aumentaram na Europa em 2023

Os dados dos relatórios anuais sobre infeções sexualmente transmissíveis divulgados ontem, 10 de fevereiro, pelo Centro Europeu de Prevenção e Controlo de Doenças indicam que, comparativamente a 2022, os casos de gonorreia e sífilis sofreram um aumento de 31 % e de 13 % na Europa em 2023.

Com base nesses relatórios, o aumento dos casos confirmados pode dever-se, em parte, ao aumento que houve da testagem em algumas populações. Mas, apesar disso, este aumento também pode ter acontecido devido a uma alteração nos comportamentos sexuais de risco, como a diminuição do use de preservativo e o aumento de parceiros sexuais.

Os relatórios do Centro Europeu de Prevenção e Controlo de Doenças (ECDC, sigla em inglês) compreendem dados dos países da União Europeia (EU) e do Espaço Económico Europeu (EEE).

Nestes 29 países, foram registados cerca de 100 000 casos de gonorreia em 2023, o que indica um aumento de 31 % comparativamente a 2022. Quanto à sífilis, foram confirmados mais de 40 000 casos, apresentando assim um aumento de 13 % face a 2022.

Com este crescimento nos casos de gonorreia e sífilis, a clamídia, que em 2023 era a infeção sexualmente transmissível mais reportada na Europa, sofreu uma desaceleração nos números de casos reportados.

Com base nos dados do ECDC, foram registados cerca de 230 000 casos de clamídia na EU e no EEE nos dois últimos anos. O considerável aumento nos casos de gonorreia foi acentuado em diferentes faixas etárias, em homens e mulheres heterossexuais e em homens que mantêm relações sexuais com outros homens.

Porém, 46 % dos casos registados em 2023 verificaram-se em mulheres entre os 20 e os 24 anos. Esta infeção sexual transmissível pode causar infertilidade e uma doença inflamatória caso não seja devidamente tratada.

O ECDC expressa, num comunicado, “uma preocupação particular” com esta infeção, já que está em “crescente ameaça da resistência antimicrobiana”. O comunicado enfatiza ainda que “o aparecimento de estirpes resistentes aos medicamentos ameaça a eficácia dos tratamentos atuais, tornando-se crucial enfatizar a prevenção e promover o uso responsável de antibióticos”.

Já a sífilis é uma infeção mais frequente nos homens, com cerca de sete homens diagnosticados por cada mulher. A quantidade mais elevada de casos registados desta infeção foram observados em homens entre os 25 e os 34 anos, com 72 % a ser reportado por homens homossexuais.

O ECDC reforça que, se a sífilis não for tratada decentemente pode ter consequências a longo prazo, e numa mulher grávida, pode causar problemas graves nos bebés.

Após uma análise dos dados, o ECDC reforça para “a importância de medidas proativas para lidar com o aumento das taxas de infeções sexualmente transmissíveis”.

“A comunicação aberta e honesta sobre saúde sexual com os parceiros pode também ajudar a reduzir o risco de contágio de infeções sexualmente transmissíveis”, alerta ainda o ECDC.

O ECDC aconselha as pessoas que apresentem sintomas de infeções sexualmente transmissíveis a fazer o teste de despistagem. “A deteção e o tratamento precoces são essenciais para prevenir futuras transmissões e possíveis complicações”, explica a ECDC.

Fonte: Lusa

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