Este inquérito internacional, que é o maior realizado aplicado a utilizadores de serviços de saúde, sublinha a importância de uma abordagem centrada no doente, com forte envolvimento do próprio e uma coordenação eficaz dos cuidados.
A abordagem centrada na pessoa revela-se “particularmente benéfica” na gestão de doenças crónicas, permitindo aos doentes um papel mais ativo nas decisões sobre a sua saúde. No entanto, apesar da disponibilização de ferramentas digitais nos cuidados de saúde primários em Portugal, a OCDE destaca que os doentes “precisam de mais apoio para beneficiarem dessas ferramentas”.
Apenas 49 % das pessoas com doenças crónicas em Portugal referem que recebem apoio suficiente para gerir a sua condição, um valor bastante inferior à média da OCDE, que se situa nos 63 %. Além disso, a literacia digital em saúde no país apresenta-se como um desafio, com apenas 12 % dos doentes crónicos a sentirem-se confiantes na utilização de informações de saúde provenientes da internet, em comparação com a média de 19 % na OCDE.
A coordenação dos cuidados também é uma questão a melhorar, uma vez que apenas 53 % dos doentes crónicos em Portugal são acompanhados em unidades de cuidados de saúde primários que se consideram bem preparadas para essa função, ligeiramente abaixo da média da OCDE (56 %).
Apesar do aumento do uso de tecnologias na saúde após a pandemia, o PaRIS revela que o seu potencial ainda não é plenamente explorado nos cuidados primários, já que apenas 7 % dos doentes crónicos recorreram à teleconsulta e 17 % acederam aos seus registos médicos online.
Outro aspeto abordado pelo relatório são as diferenças de género no bem-estar e na confiança no sistema de saúde. Em Portugal, 57 % dos homens demonstram confiança no sistema, enquanto entre as mulheres esse valor desce para 51 %, ambos abaixo da média da OCDE (67 % e 58 %, respetivamente).
O estudo PaRIS abrangeu mais de 100 000 utentes em 1 800 unidades de cuidados de saúde primários de 19 países, incluindo mais de 12 000 inquiridos em 91 centros de saúde portugueses. Os dados refletem as experiências de utentes com mais de 45 anos, muitos dos quais vivem com doenças crónicas como hipertensão, artrite, diabetes, doença cardíaca e cancro.
Fonte: Lusa


