Quase metade dos jovens europeus relatam ter necessidades de cuidados de saúde mental não satisfeitas

26/02/25
Quase metade dos jovens europeus relatam ter necessidades de cuidados de saúde mental não satisfeitas

Quase metade dos jovens na União Europeia (49 %) afirma ter necessidades de cuidados de saúde mental não satisfeitas, um número significativamente superior ao registado entre a população adulta (23 %). Os dados são revelados no Livro Branco sobre o Bem-Estar Mental dos Jovens na Europa, divulgado hoje, 26 de fevereiro, pela Fundação Z Zurich.

“Atualmente, entre os jovens europeus com idades compreendidas entre os 15 e os 19 anos, o suicídio é a segunda principal causa de morte prematura”, lê-se no documento.

Segundo o relatório, o declínio da saúde mental na União Europeia representa um custo anual superior a 600 000 milhões de euros. No entanto, a área continua a ser pouco priorizada, gastando apenas 2 % dos orçamentos nacionais de saúde globalmente destinados à saúde mental em 2020, focando-se sobretudo no tratamento em vez da prevenção e promoção do bem-estar.

O Livro Branco destaca ainda um programa apoiado em Portugal – Por ti: Programa de Promoção de Bem-estar Mental nas Escolas –, que, em dois anos, já chegou a quase 70 000 alunos.

“O bem-estar mental dos jovens é crucial para a sociedade e vai além do tratamento de problemas à medida que estes surgem, abrangendo o desenvolvimento de uma vida plena. Inclui a literacia emocional e as competências para identificar quando se está sob stresse e para defender os próprios interesses; a resiliência para responder aos altos e baixos da vida; relações fortes e competências sociais; e a capacidade de participar e contribuir para a sociedade”, reforça o documento.

De acordo com os dados da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), citados no comunicado divulgado juntamente com o Livro Branco, Portugal é o quinto país europeu com maior prevalência de problemas de saúde mental, afetando cerca 18,4 % da população.

“Devido às interrupções escolares provocadas pelo confinamento da covid-19 durante dois anos letivos e ao isolamento social a que os adolescentes e as comunidades escolares estiveram expostos, o bem-estar mental vai continuar a ser um tema extremamente crítico para Portugal”, realça a Fundação Z Zurich.

Já no contexto europeu, mais de um em cada seis jovens enfrenta desafios significativos ao nível da saúde mental e, segundo os autores deste estudo, “dados recentes sugerem que a situação está a piorar”.

Fonte: Lusa

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