“Quanto à mortalidade relacionada com o consumo de drogas, nos registos do Instituto Nacional de Medicina Legal e Ciências Forenses em 2023, dos 387 óbitos com a presença de substâncias ilícitas e informação da causa de morte, 80 (21 %) foram overdose”, refere o relatório do ICAD, sublinhando que em 2023 “houve um aumento de overdose face a 2022 (+16 %), sendo os valores dos últimos três anos os mais altos desde 2009”.
Esta análise revela que as principais substâncias envolvidas nas mortes por overdose foram a cocaína (65 %), os opiáceos (36 %) e a metadona (36 %). Apesar da cocaína ser a substância mais prevalente nos óbitos por overdose desde 2017, observa-se um aumento notável das mortes com presença de metadona, atingindo os valores mais altos desde 2008.
O relatório alerta também para um crescimento nos últimos três anos da incidência de problemas relacionados com o consumo de drogas entre jovens de 18 anos, verificando-se uma maior expressão destes consumos entre os rapazes e algumas diferenças regionais na prevalência.
O documento indica que Portugal continua a ser um dos países europeus com menor taxa de consumo de canábis, cocaína e ecstasy, apesar de estas serem as três drogas mais utilizadas no país. Entre 2017 e 2022, “registou-se descida relevante do consumo recente e atual de qualquer droga, influenciada pela diminuição do consumo de canábis”. No entanto, o consumo de risco elevado de canábis aumentou entre os mais jovens, em especial na faixa etária dos 15 aos 24 anos.
“Face a estas descidas no consumo de canábis, seria expectável a diminuição das prevalências dos padrões de consumo abusivo e dependência na população. No entanto, mantiveram-se idênticas as prevalências de consumo de risco moderado e de risco elevado de canábis na população total, aumentando a de risco elevado entre os mais jovens, e em particular nos 15-24 anos”, enfatiza o documento.
Em relação ao tratamento, em 2023 estiveram em acompanhamento na rede pública de ambulatório 24 246 utentes devido ao uso de drogas, um aumento de 0,3 % face ao ano anterior. Apesar de ser um crescimento ligeiro, este número confirma a tendência ascendente registada entre 2017 e 2020.
Em 2023, o número de utentes internados por problemas relacionados com o consumo de drogas também aumentou: 19 % em Unidades de Desabituação e 9 % em Comunidades Terapêuticas.
Segundo o ICAD, a heroína continua a ser a principal droga entre os utentes em tratamento, mas registou-se um aumento significativo do número de consumidores que iniciaram tratamento devido à cocaína, atingindo em 2023 os valores mais altos da última década.
No âmbito da dissuasão da toxicodependência, as Comissões para a Dissuasão da Toxicodependência (CDT) abriram 10 614 processos por consumo de drogas em 2023, um aumento de 29 % face a 2022. Este é o valor mais elevado desde 2018, embora ainda abaixo do pico registado em 2017. Nos últimos nove anos, a GNR tem sido a principal entidade a encaminhar casos para as CDT.
Relativamente às apreensões, o documento mostra que o haxixe continua a ser a droga mais confiscada no país, seguido pela cocaína, heroína, liamba e ecstasy. A perceção de acessibilidade à canábis permanece elevada, refletindo os padrões de consumo da população.
Fonte: Lusa


