“Este aumento do número de horas extraordinárias, este aumento do número de prestadores de serviço, que tem um custo acrescido a todos nós e ao erário público, é diretamente proporcional à falta de competência do Ministério da Saúde de Ana Paula Martins em querer resolver a situação”, afirma a presidente da FNAM, Joana Bordalo e Sá, antes de uma visita ao Hospital de Chaves.
Dados da Administração Central do Sistema de Saúde (ACSS), divulgados na quarta-feira, 26 de fevereiro, indicam que os gastos do Serviço Nacional de Saúde (SNS) com a contratação de prestações de serviço totalizaram quase 231 milhões de euros em 2024, um aumento de 12,3 % face a 2023. Grande parte desse valor correspondeu à contratação de médicos tarefeiros para prestarem serviço nas unidades do SNS, que custou 213 milhões de euros, mais 11,2 % do que no ano anterior.
“Aqui a questão é que os serviços e o SNS não deviam funcionar na base das horas extraordinárias ou dos prestadores de serviço. O SNS deveria funcionar com quadros completos, com equipas motivadas, sejam os médicos, sejam os outros profissionais de saúde, porque nós trabalhamos em equipas multiprofissionais e multidisciplinares”, refere Joana Bordalo e Sá.
“Assim, não conseguiremos fixar médicos no SNS”, alerta.
Quando questionada sobre os valores pagos aos médicos tarefeiros, Joana Bordalo e Sá diz haver “uma grande desigualdade” que, no seu entender, não deveria existir. A FNAM assegurou ter apresentado soluções ao Ministério da Saúde, mas “infelizmente não tem havido a devida vontade política para resolver a situação”.
A líder sindical abordou ainda as recentes demissões e exonerações em conselhos de administração hospitalares, incluindo a do Conselho de Administração da Unidade Local de Saúde do Alentejo Central (ULSAC), que alegou divergências sobre a construção do novo Hospital Central do Alentejo, em Évora.
“São vários os conselhos de administração, de facto, demitidos ou exonerados sem explicação nenhuma, onde essas demissões, essas exonerações estão a dar nomeações políticas sem qualquer critério técnico ou científico, e até têm sido nomeadas pessoas sem experiência no terreno para governar as diferentes instituições”, refere.
Para Joana Bordalo e Sá, esta situação “é prejudicial, acima de tudo, para os utentes, mas também para os profissionais de saúde, uma vez que estas mudanças sem critérios e estas nomeações políticas não vão trazer nada de bom às instituições”.
A FNAM deslocou-se ao Hospital de Chaves, integrado na Unidade Local de Saúde de Trás-os-Montes e Alto Douro (ULSTMAD), para avaliar as dificuldades sentidas nesta unidade de saúde, situada longe dos grandes centros urbanos.
Segundo a dirigente, há falta de atratividade para captar profissionais para a região. Um dos exemplos apontados é o funcionamento da urgência de pediatria, que está aberta apenas das 08h00 às 20h00, de segunda a sexta-feira.
“Acima de tudo, os médicos e os profissionais de saúde devem estar próximos da população”, conclui.
Fonte: Lusa


