Esta investigação, liderada por Amanda Rossiter-Pearson, pode abrir novas vias para a intervenção e o tratamento precoce deste tipo de cancro, permitindo compreender porque razão apenas uma pequena percentagem das infeções por helicobacter pylori evolui para a doença.
De acordo com o estudo publicado na quarta-feira, 26 de fevereiro, as bactérias gástricas que penetram no revestimento do estômago desempenham um papel significativo no desenvolvimento do cancro do estômago, uma doença com opções terapêuticas limitadas e baixas taxas de sobrevivência.
“Estamos entusiasmados com o potencial desta observação para abrir uma nova via de investigação na prevenção do cancro do estômago. É possível que um simples tratamento com antibióticos possa ser administrado para tratar estas bactérias. No entanto, há muito trabalho pela frente”, afirma Rossiter-Pearson, citada no artigo.
A investigadora destacou a necessidade de “determinar a identidade destas bactérias e compreender de que forma a presença destas bactérias no estado pré-canceroso tem impacto no risco de o doente desenvolver cancro do estômago”.
O cancro do estômago é a quarta principal causa de morte por cancro a nível mundial. A infeção pela bactéria helicobacter pylori, apesar de ser assintomática na maioria dos casos, é considerada o principal fator de risco para o desenvolvimento da doença. No entanto, apenas 1 % das infeções evolui para cancro.
A equipa utilizou tecnologia de imagem avançada para mapear a localização das bactérias no estômago, o que permitiu aos investigadores verificarem que, enquanto a bactéria helicobacter pylori coloniza exclusivamente as glândulas gástricas, as bactérias não-helicobacter pylori conseguem atravessar o revestimento gástrico do estômago em estados pré-cancerosos, como a metaplasia intestinal gástrica.
Os resultados sugerem que esta infiltração bacteriana pode ser um fator até agora subestimado na progressão do cancro gástrico.
Fonte: Lusa


