"A obesidade é uma doença crónica que requer uma abordagem integrada e multidisciplinar, mas ainda há muito estigma associado. Durante muito tempo, as respostas à crise da obesidade centraram-se apenas nas pessoas. É altura de mudar o foco para os sistemas que estão a falhar. Quem tem obesidade tem o direito a ser tratado como qualquer outro doente crónico, beneficiando de novos fármacos que podem mudar o curso da doença evitando complicações futuras, e isso não invalida a necessidade de políticas mais eficazes na mudança ambiental e prevenção desta pandemia", sublinha Carolina Neves, endocrinologista da APDP. "É fundamental que continuemos a trabalhar em conjunto com as autoridades de saúde para garantir que os doentes tenham acesso às melhores opções de tratamento disponíveis, incluindo terapias farmacológicas quando clinicamente indicadas", refere ainda.
A APDP defende que a comparticipação do tratamento da obesidade é uma medida crucial para assegurar um acesso equitativo aos cuidados de saúde e minimizar o impacto da doença na saúde pública. Estudos recentes demonstram que estes fármacos, além de promoverem a perda de peso, trazem benefícios significativos na prevenção e tratamento de doenças associadas à obesidade, como a doença hepática e a síndrome da apneia obstrutiva do sono.
A evidência científica revela que o tratamento farmacológico da obesidade reduz em 20 % o risco de morte cardiovascular e eventos cardiovasculares em pessoas com excesso de peso ou obesidade sem diabetes e com histórico prévio de eventos cardiovasculares. Além disso, observa-se uma redução de 19 % na mortalidade por todas as causas e de 18 % na insuficiência cardíaca, o que reforça a necessidade de comparticipação destes tratamentos, dada a sua influência na mortalidade e prognóstico dos doentes.
A obesidade é uma condição complexa e multifatorial que afeta milhões de portugueses e está associada a um risco elevado de desenvolvimento de patologias graves, como diabetes tipo 2, doenças cardiovasculares, doença hepática e apneia do sono. Atualmente, estima-se que cerca de dois milhões de adultos em Portugal vivam com obesidade, número que sobe para 67,6 % da população quando se inclui o excesso de peso. Apesar da sua gravidade, a obesidade continua frequentemente a ser desvalorizada e estigmatizada, dificultando o acesso equitativo a tratamentos eficazes.
""É essencial que a obesidade seja encarada como a doença crónica que é, que requer tratamento e acompanhamento médico adequados", frisa José Manuel Boavida, presidente da APDP, que garante que "acredita que, trabalhando em conjunto, podemos melhorar a saúde e o bem-estar das pessoas que vivem com obesidade em Portugal e a APDP está disponível para contribuir ativamente para a resolução deste problema de saúde pública.”, refere a especialista.
Neste sentido, a APDP apela às entidades de saúde para que reavaliem as políticas de tratamento da obesidade, tendo em conta a evidência científica e o impacto da doença na saúde pública. Esta é também uma estratégia essencial para reduzir a carga global de outras doenças crónicas, incluindo diabetes, doenças cardiovasculares e cancro, e promover um futuro mais saudável para toda a população.


