“Este é um desafio coletivo, precisamos da colaboração de todos - pais, educadores, profissionais de saúde, gestores e decisores políticos - para garantir que nenhum jovem fique sem apoio e que nenhuma criança sofra em silêncio”, sublinha Áurea Andrade, durante o encontro “É + Forte Do Que Nós – Saúde Mental na Infância e Adolescência”, que decorre hoje, 11 de março, em Coimbra.
A também enfermeira diretora frisa que “a rede familiar é a base do bem-estar. A família é o primeiro espaço de construção emocional e social da criança”, defendendo a necessidade de um diálogo aberto e da educação para a regulação emocional desde cedo. Entre as medidas sugeridas, destacou a importância de criar momentos de qualidade em família, sensibilizar os pais para reconhecer sinais de alerta sobre saúde mental e incentivar a procura de ajuda profissional quando necessário.
No contexto escolar, Áurea Andrade enfatizou o “papel essencial na identificação precoce de dificuldades emocionais”. Para tal, recomenda a realização de formações para professores e funcionários, a criação de gabinetes de apoio psicológico acessíveis, bem como a promoção da inclusão e do combate ao bullying. A nível social, é necessário que a comunidade se envolva ativamente no apoio a crianças e adolescentes.
“Nenhuma das redes pode atuar isoladamente. Só com um trabalho conjunto, estruturado e contínuo conseguimos criar uma verdadeira rede de proteção para as crianças e os jovens”, reforça.
Entre as iniciativas que podem contribuir para a saúde mental dos mais novos, a especialista destaca a promoção de hábitos saudáveis e a necessidade de limitar o impacto negativo do uso excessivo das redes sociais, educando para um consumo digital mais consciente.
O evento "É + Forte Do Que Nós – Saúde Mental na Infância e Adolescência" é organizado pela Câmara Municipal de Coimbra, através do Grupo de Trabalho Crianças e Jovens da Rede Social de Coimbra. Durante o dia, especialistas de diversas áreas participam em três painéis de debate, abordando temas como “Quando nos devemos preocupar? Quais os sinais e sintomas de alarme” e “Da prevenção à intervenção”, além da apresentação de programas e projetos em curso.
Na sessão de abertura, o vereador da Câmara de Coimbra, Miguel Fonseca, destaca a importância da iniciativa, sublinhando que, ao final do evento, as cerca de 200 pessoas presentes estariam mais preparadas para enfrentar este desafio. “Refletir sobre a saúde mental na infância e na adolescência é absolutamente fundamental. Esta fase da vida é crucial para o desenvolvimento de qualquer pessoa e a forma como a saúde mental é cuidada nessa fase repercutir-se-á seguramente na idade adulta”, conclui.
Fonte: Lusa


