O estudo decorreu ao longo de três meses e envolveu um questionário direcionado aos pais de crianças entre os 0 e os 12 anos. Os dados indicam que 24,2% das crianças partilham o quarto com os pais, enquanto 18,5% dormem na mesma cama. Entre as principais razões apontadas pelos pais para estas práticas, destacam-se os 24,5% referem que os filhos acordam frequentemente durante a noite, 26,2% dizem sentir-se mais seguros ao tê-los por perto, e 23,2% mencionam dificuldades das crianças em adormecer. “Estes dados mostram que uma percentagem significativa de crianças dorme no quarto ou na cama dos pais, muitas vezes devido a dificuldades em adormecer ou despertares noturnos frequentes. Estes hábitos, embora compreensíveis, podem impactar a qualidade do sono infantil e até mesmo a dinâmica familiar”, alerta a pediatra do Centro Materno-Infantil do Norte, da ULS Santo António.
A qualidade do sono na infância é essencial para o desenvolvimento físico e cognitivo das crianças, sendo que os padrões inadequados de descanso podem prolongar-se ao longo da vida e afetar a saúde geral da população. Atualmente, mais de 50% dos portugueses sofrem de má qualidade do sono, uma realidade preocupante com repercussões diretas na saúde e no bem-estar. Entre as crianças, estima-se que pelo menos 30% tenham algum problema de sono, enquanto mais de metade dos adultos dormem menos de seis horas por dia.
Além disso, metade da população já experienciou episódios de insónia aguda em algum momento da vida. “A má qualidade de sono afeta negativamente o dia das pessoas, com sensação de sono não reparador, dificuldade de concentração, falta de energia, distúrbios de humor (irritabilidade, agressividade), diminuição do rendimento escolar e laboral, com impacto no absentismo”, explica Daniela Sá Ferreira, Presidente da Direção da APS.
Os impactos da privação de sono vão além do bem-estar diário, refletindo-se na segurança e na saúde pública. Estudos demonstram que a sonolência está entre as principais causas de acidentes rodoviários e que a falta de descanso adequado triplica o risco de acidente vascular cerebral (AVC). Além disso, há uma relação direta entre a privação de sono e o aumento do risco de obesidade e doenças cardiovasculares.
Para assinalar o Dia Mundial do Sono, a APS colabora com o Centro de Neurociências e Biologia Celular da Universidade de Coimbra (CNC-UC) na campanha global do World Sleep Day, este ano sob o lema “Faça do sono uma prioridade”, reforçando a importância do descanso para a saúde e qualidade de vida.
Entre as iniciativas programadas destaca-se o lançamento do livro “Uma Viagem Ilustrada ao Mundo do Sono – desenhos e quadras de jovens artistas sobre a importância do sono”, uma obra coletiva criada por 89 crianças e adolescentes, do 1.º Ciclo ao Ensino Secundário. O lançamento terá lugar no Auditório do CIUL (Centro de Informação Urbana de Lisboa) e na Casa do Infante, no Porto.


