Investigadores desenvolvem um novo sistema com bactérias modificadas para o tratamento oncológico

20/03/25
Investigadores desenvolvem um novo sistema com bactérias modificadas para o tratamento oncológico

Uma equipa de investigadores chineses desenvolveu um sistema de controlo inteligente em bactérias geneticamente modificadas, capaz de atacar tumores com elevada precisão e segurança. O mecanismo é ativado por luz infravermelha próxima (NIR), permitindo um tratamento localizado e regulado do cancro.

De acordo com o jornal chinês The Paper, este avanço tem potencial para aumentar significativamente a eficácia das terapias bacterianas oncológicas, ao possibilitar a administração controlada de fármacos anticancerígenos. O estudo foi publicado na Nature Cancer e desenvolvido por cientistas da East China Normal University, sob a liderança do professor Ye Haifeng e do investigador associado Guan Ningzi.

Os investigadores conceberam um sistema optogenético denominado NETMAP (Near-Infrared Light-Mediated PadC-Based Photoswitch), que permite modular a expressão genética das bactérias oncolíticas através da irradiação de luz infravermelha.

No estudo, as bactérias foram geneticamente modificadas para conter um "interruptor biológico" baseado na proteína PadC, responsível por ativar a produção de fármacos anticancerígenos diretamente no local do tumor, apenas quando expostas à luz NIR. Esta abordagem inovadora permite um controlo preciso da dosagem e minimiza os efeitos adversos das terapias convencionais.

Os resultados obtidos em modelos pré-clínicos com ratinhos demonstraram uma redução tumoral de até 80% em casos de linfoma, cancro do cólon e cancro da mama. Além disso, em ensaios com xenoenxertos derivados de doentes (Patient-Derived Xenografts - PDX), foi observada uma inibição significativa do crescimento tumoral e um aumento da apoptose das células cancerígenas.

Segundo Ye Haifeng, a luz infravermelha próxima apresenta uma elevada capacidade de penetração nos tecidos biológicos, permitindo a ativação das bactérias modificadas sem necessidade de procedimentos invasivos. Para aumentar a segurança da terapia, os cientistas eliminaram genes associados à toxicidade das estirpes bacterianas, sem comprometer a sua capacidade de colonizar tumores.

Atualmente, a equipa colabora com o Hospital Ruijin da Universidade de Medicina Jiao Tong de Xangai para avaliar a viabilidade clínica da tecnologia. Os próximos passos incluem a extensão dos estudos a outros tipos de cancro, como o melanoma e o cancro do pulmão, com vista ao avanço para ensaios clínicos em humanos.

Nos últimos meses, vários avanços na investigação oncológica têm sido reportados na China, incluindo o desenvolvimento de ferramentas de inteligência artificial para deteção precoce do cancro do esófago e a inauguração de dispositivos de produção de isótopos médicos para terapias de alta precisão.

Fonte: Lusa

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