Além destes, números recolhidos pela Spirituc, num inquérito apoiado pela Servier Portugal, indicam que os doentes negligenciarem, em média, mais de duas tomas por semana da medicação prescrita. O principal culpado é o esquecimento, responsável por 81,7 % dos casos de uma baixa adesão à terapêutica.
Apesar disto, a esmagadora maioria dos inquiridos (93,3 %) reconhece que a não adesão à terapêutica pode ter um impacto elevado no controlo da doença. Entre estes inquiridos, uma percentagem significativa admite que este impacto tem que ver com o descontrolo da doença (89,1 %), podendo ainda originar outras complicações, como ataques cardíacos (50,6 %) e um aumento dos internamentos e idas às urgências (50,2 %). Já para os mais céticos, que consideram que a não adesão tem pouco impacto, 60 % consideram que se a falha for ocasional (uma ou duas vezes por semana) não tem impacto.
Quando questionados sobre os obstáculos à adesão à terapêutica, os portugueses apontam a falta de consciencialização dos doentes para a sua doença como um fator importante (36,2 %).
Ainda de acordo com o inquérito, entre os inquiridos que fazem atualmente medicação para a hipertensão e dislipidemia, mais de metade (52 %) considera que o não cumprimento da medicação só leva ao agravamento da doença se as falhas forem muito frequentes ou por muito tempo.
Estes são dados que justificam a criação do Dia Mundial da Adesão, uma iniciativa global que junta várias sociedades científicas e parceiros internacionais, como a World Heart Federation, e que visa sensibilizar a população, profissionais de saúde e instituições para a urgência de melhorar a adesão à terapêutica na gestão da hipertensão e de outras doenças crónicas que, de acordo com vários estudos, pode reduzir o risco de mortalidade a longo prazo em até 21 %.


