IA permite a mulher tetraplégica voltar a “falar” após 18 anos

01/04/25
IA permite a mulher tetraplégica voltar a “falar” após 18 anos

Investigadores da Universidade de Berkeley, nos Estados Unidos, desenvolveram um dispositivo inovador baseado em inteligência artificial (IA) que permitiu a uma mulher tetraplégica voltar a comunicar verbalmente após 18 anos.

Os cientistas criaram um mecanismo capaz de traduzir a atividade cerebral associada à fala em palavras audíveis quase em tempo real, ultrapassando um dos principais desafios das neuropróteses da fala: a latência entre a intenção de falar e a produção do som. Os resultados deste estudo foram publicados na revista Nature Neuroscience.

Graças aos avanços recentes da IA, a equipa desenvolveu um método de transmissão que sintetiza os sinais cerebrais e os converte em discurso audível de forma quase imediata. “A nossa abordagem traz as mesmas capacidades de descodificação rápida de voz de dispositivos como Alexa e Siri para neuropróteses”, explica Gopala Anumanchipalli, um dos principais investigadores do estudo.

Segundo o cientista, o algoritmo desenvolvido permitiu, pela primeira vez, uma transmissão de voz quase síncrona a partir de dados neurais. "O resultado é uma síntese de fala mais natural e fluida", acrescenta.

Edward Chang, também investigador da equipa de Berkeley, destacou o enorme potencial desta tecnologia para melhorar a qualidade de vida de pessoas cuja capacidade de falar foi afetada por doenças ou lesões neurológicas graves. “É entusiasmante que os últimos avanços na IA estejam a acelerar muito as interfaces cérebro-computador para utilização prática no mundo real num futuro próximo”, garante.

Num ensaio clínico, os investigadores implantaram esta interface numa mulher de 47 anos com tetraplegia, consequência de um acidente vascular cerebral (AVC) sofrido 18 anos antes. Para treinar o algoritmo, pediram-lhe que observasse uma mensagem no ecrã e tentasse pronunciá-la mentalmente. Os cientistas registaram a atividade cerebral através de elétrodos implantados no córtex motor da fala e treinaram uma rede neural profunda para descodificar os padrões neurais em tempo real.

Os estudos anteriores sobre neuropróteses de fala enfrentavam um atraso de cerca de oito segundos na descodificação de uma frase. No entanto, o novo dispositivo permitiu gerar saída audível quase em simultâneo com a intenção vocal da participante, uma inovação que pode transformar o futuro da comunicação para pessoas com paralisia grave.

Cheol Jun Cho, outro autor do estudo, explicoa que a neuroprótese funciona ao recolher dados do córtex motor – a região cerebral que controla a produção da fala – e ao utilizar IA para interpretar e converter essa atividade cerebral em discurso audível. Este avanço representa um passo significativo no desenvolvimento nestas tecnologias, que abrem novas perspetivas para a reabilitação e inclusão de pessoas com deficiências motoras e comunicativas.

Fonte: Lusa

Partilhar

Publicações